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Volta ao Algarve confirma pelotão de peso e aposta em novas “zonas de bônus”

Grupo de ciclistas passando por arco amarelo com texto "bonus zone" em estrada com casas ao fundo.

A Volta ao Algarve volta a reunir alguns dos principais nomes do ciclismo internacional e confirma a presença de João Almeida, português da UAE Emirates, mesmo com a ausência do atual campeão, o dinamarquês Jonas Vingegaard.

A prova, de categoria UCI ProSeries 2.Pro, terá início em Vila Real de Santo António - que, pela primeira vez, recebe a largada da corrida - e será disputada ao longo de cinco etapas, mantendo o tradicional desfecho no Alto do Malhão, em Loulé. O desenho do percurso alterna dias mais planos com trechos de média montanha, um conjunto que tende a estimular disputas táticas desde o começo.

Novidades da Volta ao Algarve: “zonas de bônus” e corrida mais dinâmica

Ao fim da coletiva de apresentação realizada em Faro, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, explicou que o pacote de mudanças foi pensado para tornar a competição mais atrativa esportivamente e mais alinhada ao ciclismo atual.

Entre as inovações está a criação das chamadas “zonas de bônus” (antes referidas como hot spots), pontos no trajeto em que será possível somar tempo de bonificação. Segundo Barbosa, o novo modelo permite “ganhar até nove segundos em um intervalo de 1,1 quilômetro, sem necessariamente vencer a etapa e, ainda assim, assumir a liderança”.

Ele reforçou que a medida é inédita na prova e que a organização acredita que os ajustes vão elevar o nível do espetáculo, além de agregar valor à Volta ao Algarve no cenário internacional.

Essas bonificações, na prática, tendem a mudar o comportamento das equipes: além das tradicionais chegadas e das montanhas, pequenos momentos intermediários do percurso podem virar alvos de acelerações, ataques e disputas de posição. O resultado esperado é uma corrida menos previsível, com mais oportunidades para reviravoltas na classificação geral.

João Almeida e a UAE Emirates: liderança portuguesa no Algarve

Entre as equipes confirmadas está a UAE Emirates, frequentemente apontada como uma das mais fortes do pelotão mundial. O time terá João Almeida como um de seus líderes e contará também com outros três ciclistas portugueses no elenco.

Almeida chega com moral elevada: após terminar em 2º lugar em 2025, ele volta ao Algarve como um dos candidatos mais consistentes ao título. Para Cândido Barbosa, o português não vem apenas para “marcar presença”, mas para competir de fato, trazendo consigo um núcleo de atletas nacionais que costuma ter papel importante no suporte da equipe em outras corridas.

Os organizadores apostam que o novo formato, combinado com um pelotão competitivo, deve reforçar ainda mais o espaço da prova no calendário internacional, ampliando a audiência e a atenção da mídia global sobre a região.

Percurso: cinco etapas entre o litoral e a serra, com final no Alto do Malhão

A edição começa em 18 de fevereiro e apresenta um roteiro variado, com sprints bonificados, chegada em montanha, contrarrelógio individual e uma etapa final com novidade no circuito decisivo.

Etapa 1 (18 de fevereiro): Vila Real de Santo António → Tavira (185,60 km)

A abertura terá 185,60 km entre Vila Real de Santo António e Tavira, incluindo três zonas de bônus concentradas em pouco mais de 1 km.

Etapa 2: Portimão → Fóia (Monchique) (157,10 km)

A segunda etapa liga Portimão ao alto da Fóia, em Monchique, totalizando 157,10 km. Será a primeira chegada em montanha, com três zonas de bônus ao longo do trajeto.

Etapa 3 (20 de fevereiro): contrarrelógio individual em Vilamoura (19,5 km)

O terceiro dia é reservado ao contrarrelógio individual, com largada e chegada em Vilamoura, passando por Quarteira, em um percurso de 19,5 km.

Etapa 4: Albufeira → Lagos (182,10 km)

A quarta etapa sai de Albufeira e termina em Lagos, com 182,10 km. Depois da primeira passagem pela linha de chegada, os ciclistas encaram um circuito final de 32 km, o que pode favorecer movimentações tardias e reorganização de estratégias para o sprint.

Etapa 5: Faro → Alto do Malhão (Loulé) (153,10 km)

A última etapa parte de Faro e termina no “emblemático” Alto do Malhão, em Loulé, com 153,10 km. A principal novidade é a dupla passagem pelo Malhão, inserida em um circuito final de 45 km, aumentando as chances de ataques e diferenças na classificação geral até o fim.

Além do componente esportivo, um percurso com etapas em áreas urbanas e trechos de serra exige um planejamento cuidadoso de operação e segurança: sinalização, controle de tráfego e organização do público impactam diretamente a experiência de quem assiste na estrada e a fluidez do evento nas cidades por onde a prova passa.

Turismo e economia: mais de € 30 milhões de impacto em 2025

O presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes, classificou a Volta ao Algarve como um dos eventos esportivos mais relevantes do território e afirmou que, em 2025, a competição gerou um impacto econômico superior a € 30 milhões.

Para ele, além de movimentar a economia local, a corrida é uma oportunidade de apresentar a autenticidade do Algarve e fortalecer a atração de visitantes fora do período de alta temporada, ampliando o alcance turístico da região para além do verão.

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