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Shein, Temu, Aliexpress: agora suas compras nessas plataformas chinesas vão ficar mais caras.

Mulher surpresa lendo mensagem no celular, com caixas, envelopes e documentos sobre imposto na mesa.

As compras em plataformas como Temu, Shein e AliExpress devem ficar mais caras a partir da validação, pela Assembleia Nacional francesa, de uma nova cobrança sobre encomendas de baixo valor. A medida cria uma taxa fixa de 2 euros aplicada a cada pequeno pacote com valor inferior a 150 euros quando o envio parte de um país fora da União Europeia. Na prática, pedidos despachados a partir da França ou de outro país do bloco europeu ficam fora dessa regra.

Taxa de 2 euros em pequeno pacote (menos de 150 euros) fora da União Europeia: o que muda

A proposta nasce de um cenário que se consolidou rapidamente: sites de e-commerce de origem chinesa viraram, em poucos anos, alguns dos destinos preferidos dos consumidores na França. Com preços muito agressivos e um catálogo enorme, plataformas como Temu e Shein passaram a registrar volumes massivos de envios. O resultado é um fluxo diário de dezenas de milhares de pacotes, frequentemente de baixo valor, viajando da Ásia para o mercado francês.

Para o governo, o objetivo da taxa é financiar mecanismos adicionais de fiscalização desses fluxos, reforçando a verificação de produtos importados, aumentando a proteção do consumidor, combatendo a concorrência considerada desleal e melhorando a arrecadação do IVA. Na hora do pagamento, o custo extra tende a aparecer automaticamente, e a expectativa é que as plataformas repassem o valor ao cliente final - ainda que, formalmente, nada as obrigue a fazer isso.

Por que o tema ganhou força: volume, impacto ambiental e concorrência

O debate não se limita ao preço. O crescimento do envio de pacotes pequenos e baratos é apontado como problemático também do ponto de vista ambiental, pelo transporte intercontinental em grande escala e pela multiplicação de entregas fragmentadas. Ao mesmo tempo, comerciantes locais e varejistas europeus argumentam que enfrentam uma competição desigual, já que operam sob um conjunto de obrigações e custos diferentes.

Esse incômodo chegou a um novo patamar quando, pela primeira vez, grandes grupos do varejo francês se articularam para apresentar uma queixa por concorrência desleal contra a Shein.

Shein, a empresa na mira: impacto real no bolso

Para quem compra, 2 euros por pacote pode parecer pouco - até virar hábito. O acréscimo pesa especialmente para quem costumava dividir compras em várias encomendas pequenas, fazendo mini-pedidos com frequência para aproveitar promoções.

Segundo levantamentos estatísticos citados com frequência no mercado, o ticket médio na Shein na França fica em torno de 50 euros, e o preço médio de um item gira por volta de 9 euros. Num exemplo simples, se o carrinho for de 10 euros, a nova cobrança representa 20% de aumento, um patamar capaz de fazer muita gente repensar compras por impulso e a fragmentação de pedidos.

Efeitos para o varejo local e para as plataformas

Para lojas físicas e e-commerces franceses ou europeus, a iniciativa é vista como um alívio: a tendência é reduzir parte da pressão exercida por concorrentes estrangeiros e aproximar o jogo de uma disputa considerada mais equilibrada.

Já as plataformas atingidas podem ser forçadas a ajustar o modelo - seja elevando preços, seja incentivando pedidos maiores e menos frequentes, seja buscando operações mais próximas do consumidor europeu para minimizar impactos. A Shein já deu sinais dessa tentativa ao buscar presença no BHV, tradicional varejista parisiense. O movimento, no entanto, não saiu como planejado: clientes consideraram os produtos caros, marcas presentes no BHV se retiraram em massa e a imagem da empresa sofreu desgaste. Depois desse lançamento mal sucedido, o BHV decidiu adiar a expansão de espaços da Shein prevista para outras 5 cidades francesas.

O que observar antes de finalizar a compra

Com a taxa por pacote, passa a ser ainda mais importante prestar atenção a como o pedido é despachado. Dependendo do site e do sistema logístico, uma compra pode ser dividida em múltiplas remessas - e, nesse caso, o consumidor pode acabar pagando a cobrança mais de uma vez, se cada envio se enquadrar como um pequeno pacote separado.

Também vale redobrar o cuidado com conformidade e segurança de produto. Como a justificativa oficial inclui reforço de fiscalização e proteção ao consumidor, é provável que haja maior atenção a itens com requisitos específicos (por exemplo, produtos infantis, cosméticos e eletrónicos), o que pode resultar em atrasos, pedidos de documentação e, eventualmente, restrições de entrada quando não houver comprovação adequada de conformidade.

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