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7 coisas estranhas que exercícios intensos podem causar no seu corpo

Bolsa esportiva com tênis, toalha, top, garrafa d'água e produtos sobre banco em vestiário.

Exercitar-se faz bem para o corpo e para a mente. Um treino bem feito costuma deixar a pessoa com mais energia, revigorada e pronta para encarar o restante do dia.

Ainda assim, para algumas pessoas, os efeitos após a atividade física podem ser um pouco inusitados. De sensações estranhas na boca a sangramentos inesperados e até orgasmos induzidos pelo esforço, veja algumas das reações mais curiosas que o corpo pode apresentar como consequência do exercício físico.

1. Gosto metálico na boca

Há quem perceba um gosto metálico enquanto se exercita.

Isso pode acontecer por causa do aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial durante o esforço. Quando essa pressão se mantém elevada por mais tempo, pequenos e delicados vasos sanguíneos do nariz podem se romper.

O resultado pode ser um sangramento nasal visível, ou o sangue pode escorrer para trás, em direção à garganta - e aí a pessoa sente o gosto. O ferro presente no sangue é o que dá essa sensação metálica.

Algumas evidências também indicam que esse gosto pode surgir quando pequenos vasos nos pulmões se rompem. Esse quadro aparece com mais frequência em ciclistas de elite e corredores de ultramaratona, provavelmente devido ao estresse prolongado imposto aos pulmões.

2. Sangramento pelo ânus e pelos mamilos

A atividade física também pode provocar sangramentos em locais menos esperados.

Um exemplo é a corrida de longa distância, que pode desencadear sangramento pelo ânus. Isso ocorre por mudanças na forma como o fluxo sanguíneo é distribuído no corpo durante o exercício.

Em repouso, o trato gastrointestinal recebe cerca de 25% do sangue bombeado pelo coração. Durante o exercício, porém, esse volume cai em aproximadamente 80%, porque mais sangue é direcionado aos músculos, ao coração e aos pulmões. Com isso, os tecidos do trato gastrointestinal sofrem uma falta de oxigênio de curto prazo.

Quando, após a corrida, o fluxo sanguíneo volta ao padrão normal, esse retorno aumentado pode lesionar vasos muito pequenos do trato gastrointestinal. A consequência pode ser sangramento pelo ânus - que, em alguns casos, pode colocar a vida em risco.

Os mamilos são outro ponto sensível que pode sangrar após uma corrida, devido ao atrito com a roupa. Quanto mais a pessoa corre por semana, maior a chance de isso acontecer. Quase 40% das pessoas que correm mais de 65 km por semana relatam já ter tido o chamado “mamilo do corredor”.

O frio tende a piorar o problema, porque os mamilos ficam mais eretos, aumentando a irritação e concentrando o ponto de contato. O suor também pode agravar, já que reduz a barreira protetora na superfície da pele.

Felizmente, a prevenção costuma ser simples. Um pouco de vaselina, por exemplo, pode ajudar a evitar irritação durante as corridas.

3. Assaduras e erupções na pele

Ao se exercitar, a gente sua - e essa é a forma natural do corpo de se resfriar.

O problema é que células mortas, sujeira e microrganismos podem fazer esse suor ficar preso nos poros, abaixo da superfície da pele. Isso pode levar à brotoeja (erupção por calor), que causa coceira e uma sensação de ardor, picadas ou “fisgadas” na pele.

Em geral, essa erupção desaparece sozinha. Dá para reduzir o risco usando roupas mais folgadas nos treinos, praticando em um ambiente mais fresco ou aplicando compressas frias na pele após a atividade.

Outra possibilidade é a urticária, que também pode ser desencadeada por calor ou exercício. Em comparação com a brotoeja, a urticária costuma ser mais dolorosa e coçar mais, e frequentemente exige anti-histamínicos para aliviar os sintomas. Ela acontece pela liberação de histamina (uma substância do sistema imune) quando o corpo é exposto ao gatilho.

4. Unhas dos pés escurecidas

Embora muita gente chame isso de “unha do corredor”, não é um problema exclusivo de quem corre. Qualquer esporte - incluindo tênis e dança - em que haja impacto repetitivo e pressão sobre os dedos pode escurecer as unhas e até fazê-las cair.

Usar calçados do tamanho correto, que impeçam os dedos de ficarem raspando e sendo comprimidos dentro do tênis, reduz o risco.

5. Nariz escorrendo

A respiração mais rápida durante o treino pode aumentar a quantidade de irritantes, detritos e microrganismos que entram no corpo pelo nariz.

Como resposta, o organismo passa a produzir mais secreção nasal para “lavar” esses agentes e evitar o ressecamento. O resultado é o nariz escorrendo - um sinal de que os mecanismos de proteção do corpo entraram em ação.

A rinite induzida por exercício é muito comum em nadadores e em pessoas que se exercitam no ar frio, como esquiadores de fundo. Isso acontece porque esses ambientes são especialmente agressivos para as membranas mucosas.

6. Olhos vermelhos

Levantar muito peso ou fazer força intensa durante um treino pode, em alguns casos, causar danos estruturais nos olhos.

Quando a pessoa faz força, a pressão arterial sobe rapidamente - e essa pressão pode romper pequenos vasos na parte branca do olho. Isso se chama hemorragia subconjuntival.

O que aparece é uma pequena mancha de sangue no branco do olho. Felizmente, costuma não doer e, em geral, não prejudica a visão. Normalmente melhora em algumas semanas.

7. Orgasmos induzidos pelo exercício (coregasmo)

Para algumas pessoas, o exercício pode provocar prazer sexual - um orgasmo induzido pela atividade física, conhecido como coregasmo. Embora exercícios para abdômen e músculos do “core” sejam gatilhos comuns, não são os únicos. Há relatos de coregasmos durante ciclismo, musculação, corrida, prática de ioga e até caminhadas.

As mulheres tendem a relatar esse fenômeno com mais frequência do que os homens, mas ainda não se sabe exatamente o quanto ele é mais comum, porque há poucos estudos sobre o tema.

A anatomia individual, além do estado físico, fisiológico e mental da pessoa, provavelmente influencia se o coregasmo ocorre ou não. Os neurotransmissores ligados ao bem-estar liberados durante o exercício (como as endorfinas) também são reconhecidos por “acelerarem” o orgasmo - então é provável que contribuam para o processo.

Como reduzir riscos e quando procurar ajuda

Nem todo efeito estranho significa algo grave, mas vale ficar atento ao contexto. Ajustes simples - como escolher roupas que reduzam atrito, usar calçados adequados, cuidar da hidratação e evitar treinar em ambientes muito quentes - já diminuem bastante a chance de desconfortos como assaduras, brotoeja e irritações.

Também é importante observar sinais de alerta. Se houver sangramento persistente (especialmente pelo ânus), dor intensa, falta de ar incomum, piora progressiva dos sintomas ou qualquer alteração visual, o mais seguro é buscar avaliação de um médico ou enfermeiro.

De todo modo, a maioria desses problemas relacionados ao exercício costuma ser passageira e pode ser aliviada em casa no próximo dia de descanso. Os casos que não melhorarem devem ser avaliados por um profissional de saúde.

Adam Taylor, Professor de Anatomia, Universidade de Lancaster

Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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