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Foguete lunar da NASA enfrenta problema em teste crucial antes do lançamento.

Dois técnicos da NASA observam foguete em plataforma de lançamento através de janela ampla.

CAPE CANAVERAL, Flórida (AP) - A NASA enfrentou vazamentos de combustível irritantes durante um teste decisivo do seu novo foguete lunar nesta segunda-feira, o que colocou em dúvida quão cedo astronautas poderão partir numa viagem ao redor da Lua.

Os vazamentos - que lembraram os contratempos da estreia adiada do foguete há três anos - apareceram apenas algumas horas depois do início da operação de abastecimento, que duraria o dia inteiro, no Centro Espacial Kennedy.

Teste de abastecimento do foguete da Lua (Space Launch System)

Ao meio-dia, as equipas de controlo de lançamento começaram a carregar o foguete de 98 metros com hidrogénio e oxigénio super-resfriados. Era necessário transferir mais de 2,6 milhões de litros para os tanques e manter esse combustível a bordo durante várias horas, simulando as etapas finais de uma contagem regressiva real.

No entanto, rapidamente se acumulou uma quantidade excessiva de hidrogénio perto da parte inferior do foguete. O carregamento de hidrogénio foi interrompido pelo menos duas vezes, enquanto a equipa de lançamento tentava contornar o problema com técnicas desenvolvidas durante a contagem regressiva anterior do Space Launch System em 2022.

Aquele primeiro voo de teste foi marcado por vazamentos de hidrogénio antes de, por fim, decolar sem tripulação.

Tripulação em quarentena e acompanhamento do ensaio

Os quatro astronautas designados para a missão - três americanos e um canadense - acompanharam o ensaio geral crítico a quase 1.600 km de distância, em Houston, onde fica o Centro Espacial Johnson.

Eles estão em quarentena há cerca de 1 semana e meia, à espera do resultado desta contagem regressiva de prática.

Este ensaio de abastecimento de segunda-feira é o fator que vai definir quando eles poderão decolar na primeira viagem lunar com tripulação em mais de meio século.

Janela de lançamento: datas, limites e impacto do frio

No cenário mais otimista, a NASA poderia lançar o comandante Reid Wiseman e a sua equipa rumo à Lua, no mínimo, a partir de domingo. O foguete precisa voar até 11 de fevereiro; caso contrário, a missão será adiada para março.

A agência espacial dispõe de apenas alguns dias por mês para lançar o foguete, e o frio extremo já encurtou a janela de lançamento de fevereiro em dois dias.

Com atrasos devido à onda de frio intensa, os relógios da contagem regressiva começaram a correr no sábado à noite, permitindo que os controladores de lançamento repetissem todo o procedimento e enfrentassem quaisquer problemas remanescentes do foguete. A programação previa interromper os relógios meio minuto antes de chegar a zero, imediatamente antes da ignição dos motores.

Como será a missão de quase 10 dias

A missão, com duração de quase 10 dias, levará os astronautas para além da Lua, contornará o enigmático lado oculto e, em seguida, seguirá diretamente de volta para a Terra. O objetivo é colocar à prova o suporte de vida da cápsula e outros sistemas essenciais. A tripulação não entrará em órbita lunar nem tentará pousar.

Do programa Apollo ao programa Artemis: o que muda

A NASA enviou astronautas à Lua pela última vez durante o programa Apollo, nas décadas de 1960 e 1970. Já o novo programa Artemis procura estabelecer uma presença lunar mais duradoura, e a tripulação de Wiseman tem a missão de preparar o terreno para futuros pousos na Lua realizados por outros astronautas.

Por que o ensaio é tão crítico para a missão

Além de verificar se o abastecimento com propulsores criogénicos pode ser concluído e mantido com segurança, o ensaio funciona como uma validação operacional de procedimentos, comunicações e tomadas de decisão sob pressão - exactamente o que se espera nos minutos finais de uma contagem regressiva real. Em missões tripuladas, qualquer anomalia que envolva hidrogénio exige atenção redobrada, porque pequenas fugas podem evoluir rapidamente para condições de risco.

O que acontece se os vazamentos persistirem

Se os vazamentos de hidrogénio continuarem a aparecer durante o teste, a NASA poderá ter de repetir o ensaio, ajustar procedimentos de carregamento ou realizar intervenções técnicas no local antes de tentar novamente. Como as janelas de lançamento mensais são limitadas e sensíveis ao clima e ao posicionamento orbital, cada atraso tende a “empurrar” o voo para a próxima oportunidade disponível, o que reforça o peso deste teste na definição do calendário da missão Artemis.

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