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NASA realiza primeira evacuação médica da Estação Espacial Internacional e antecipa retorno de quatro astronautas

Dois astronautas em trajes espaciais sentados dentro de uma estação espacial com a Terra ao fundo pela janela circular.

Evacuação médica inédita da NASA na Estação Espacial Internacional

Cabo Canaveral, Flórida - Um astronauta que precisa de acompanhamento médico em terra deixou a Estação Espacial Internacional (ISS) na quarta-feira, acompanhado de mais três colegas, no que a NASA classificou como sua primeira evacuação médica da história.

O quarteto - com representantes dos Estados Unidos, Rússia e Japão - está a caminho de uma amerissagem no oceano Pacífico, nas proximidades de San Diego (Califórnia), a bordo de uma cápsula da SpaceX. A mudança de plano encerra a missão com mais de um mês de antecedência.

Antes de iniciarem a viagem de volta, a astronauta da NASA Zena Cardman afirmou que a saída não estava nos planos, mas destacou a união do grupo: para ela, o que mais chamou a atenção foi a forma como a tripulação se organizou “como uma família” para se apoiar e cuidar uns dos outros.

Amerissagem no Pacífico com a SpaceX: cronograma e procedimentos da Crew-11

A amerissagem da Crew-11 na costa da Califórnia está prevista para quinta-feira, 15 de janeiro, por volta de 08h40 (UTC) - o que corresponde a 05h40 no horário de Brasília.

A NASA informou que seguirá o roteiro habitual de reentrada e recuperação no mar, com especialistas médicos a bordo do navio de resgate posicionados para avaliar os astronautas assim que a cápsula for retirada da água.

Se houver transmissão oficial, a agência costuma disponibilizar a cobertura do retorno em seus canais e plataformas habituais.

Privacidade médica e por que antecipar o pouso

Autoridades não revelaram quem é o astronauta que precisou de atendimento na semana passada nem detalharam o quadro de saúde, citando privacidade médica. Ainda assim, a liderança da missão reforçou que a pessoa está em condição controlada.

O comandante que deixará a estação, Mike Fincke, publicou anteriormente que o tripulante está estável, em segurança e recebendo cuidados, acrescentando que a decisão foi tomada de forma ponderada para permitir exames e avaliações completas em solo, onde existe toda a infraestrutura de diagnóstico.

Segundo a NASA, o problema de saúde não tem relação com os preparativos para caminhada espacial nem com outras operações rotineiras da estação, e a agência fez questão de frisar que não se tratava de uma emergência.

Um ponto adicional que pesa nessas decisões é a limitação de recursos médicos em órbita: embora a ISS tenha equipamentos e protocolos para estabilização, certas análises e tratamentos dependem de laboratórios, imagens avançadas e equipes multidisciplinares disponíveis apenas em terra.

Mudança de planos: missão que iria até fevereiro termina em janeiro

Lançados em agosto, Cardman, Fincke, o japonês Kimiya Yui e o russo Oleg Platonov deveriam permanecer na ISS até o fim de fevereiro. Porém, em 7 de janeiro, a NASA cancelou de forma repentina a caminhada espacial programada para o dia seguinte, que seria realizada por Cardman e Fincke, e depois confirmou o retorno antecipado.

Quem fica na estação e o efeito nas atividades extraveiculares

Com a saída do grupo, um astronauta dos Estados Unidos e dois cosmonautas russos permanecem no laboratório orbital - ainda no início (cerca de um mês e meio) de uma missão de oito meses, iniciada com o lançamento de um foguete Soyuz a partir do Cazaquistão.

Enquanto a SpaceX não levar uma nova equipe, a NASA afirmou que será necessário suspender caminhadas espaciais - inclusive as de contingência - porque essas atividades exigem duas pessoas do lado de fora e apoio interno suficiente no complexo orbital para segurança e resposta a imprevistos.

Paralelamente, NASA e SpaceX trabalham para adiantar o lançamento de uma nova tripulação de quatro pessoas a partir da Flórida, hoje apontado para meados de fevereiro.

Raridade de evacuação médica: previsão em simulações, mas sem precedentes na NASA

Modelagens computacionais da agência indicavam que uma evacuação médica da estação poderia ocorrer, em média, a cada três anos. Apesar disso, em 65 anos de voos tripulados, a NASA nunca havia precisado executar um retorno desse tipo. Do lado russo, o histórico é menos favorável.

Em 1985, o cosmonauta soviético Vladimir Vasyutin desenvolveu uma infecção séria (ou doença associada) a bordo da estação Salyut 7, o que levou a um retorno antecipado. Outros cosmonautas soviéticos também enfrentaram problemas de saúde menos graves que encurtaram suas estadias.

Perfis dos astronautas: estreias, veteranos e marcos pessoais

A missão marcou o primeiro voo espacial de Zena Cardman, de 38 anos, bióloga e exploradora de regiões polares, que acabou não realizando caminhada espacial. Também foi a estreia de Oleg Platonov, de 39 anos, ex-piloto de caça da Força Aérea russa, que precisou aguardar alguns anos extras para voar por conta de um problema de saúde não divulgado anteriormente.

Cardman deveria ter decolado no ano passado, mas foi remanejada para abrir espaço no retorno de Butch Wilmore e Suni Williams, que permaneceram quase um ano na ISS devido a dificuldades na cápsula da Boeing.

Mike Fincke, de 58 anos, coronel aposentado da Força Aérea dos EUA, e Kimiya Yui, de 55 anos, ex-piloto de caça da Força de Autodefesa Aérea do Japão, são astronautas veteranos.

Na semana passada, Yui comemorou seu 300º dia no espaço, somando duas passagens pela estação, e compartilhou imagens marcantes da Terra - incluindo o Monte Fuji e auroras. Em publicação na rede social X, ele disse que queria gravar aquelas cenas “nos olhos e, mais ainda, no coração”, acrescentando que em breve também seria “uma das pequenas luzes no chão”.

Por que reduzir a tripulação foi considerado o menor risco

A nova administração da NASA reforçou que a escolha foi guiada por gestão de risco: para a agência, manter o astronauta em órbita por mais um mês sem o nível necessário de acompanhamento poderia ser mais perigoso do que operar temporariamente a estação com bem menos gente.

Ao anunciar a decisão, o administrador Jared Isaacman reiterou que a saúde e o bem-estar dos astronautas são a prioridade máxima da agência.

Além disso, a própria logística de recuperação após a amerissagem é parte central do plano: equipes no navio de resgate fazem as primeiras avaliações, monitoram sinais vitais e organizam o encaminhamento para exames em terra, garantindo que qualquer necessidade clínica seja tratada com rapidez assim que a cápsula é aberta.

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