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Grupo Renault muda receita para reduzir preço dos elétricos

Carro elétrico branco Renault Twingo EV em exposição em ambiente interno moderno com outros carros ao fundo.

O Grupo Renault vai ampliar a sua linha de baterias para carros elétricos com uma alternativa que tende a reduzir custos e, consequentemente, permitir versões mais competitivas em preço. Até aqui, os modelos elétricos da marca francesa utilizavam exclusivamente baterias NMC (Níquel, Manganês e Cobalto). Em breve, passa a existir uma segunda configuração disponível: a bateria LFP (Fosfato de Ferro-Lítio).

A mudança foi confirmada no Salão de Munique (IAA 2025) pelo CEO do Grupo Renault, François Provost. Segundo ele, todos os elétricos desenvolvidos dentro do plano estratégico Renaulution, anunciado em 2021, passarão a contar com a opção de bateria LFP.

Provost resumiu o objetivo com uma comparação direta: a empresa precisa “alcançar os nossos melhores concorrentes”, em referência às montadoras chinesas. De acordo com dados da International Energy Agency, no ano passado 75% dos veículos elétricos vendidos na China já usavam baterias LFP, enquanto na Europa essa participação era de apenas 10%.

Baterias LFP e NMC nos elétricos do Grupo Renault

Apesar de a principal diferença estar na química, LFP e NMC se separam, na prática, sobretudo por custo e desempenho. As baterias LFP costumam ser mais baratas de fabricar, porém apresentam menor densidade energética, o que tende a reduzir a autonomia do veículo.

Já as baterias NMC, embora sejam mais caras de produzir, entregam densidade energética superior. Isso facilita projetos de carros elétricos mais leves e, em geral, com maior alcance por carga.

Além disso, a adoção de LFP (Fosfato de Ferro-Lítio) pode trazer vantagens indiretas para a estratégia industrial: por usar materiais diferentes dos da NMC (Níquel, Manganês e Cobalto), a marca pode reduzir a exposição a oscilações de preço e disponibilidade de alguns insumos, especialmente aqueles historicamente mais disputados na cadeia de suprimentos.

Também vale lembrar que a escolha da bateria influencia a percepção do consumidor no uso diário. Em muitos casos, a proposta de uma versão com LFP conversa melhor com quem prioriza custo total e rotina urbana, enquanto a versão com NMC tende a atrair quem busca mais autonomia e desempenho em viagens - exatamente o tipo de segmentação que a Renault sinaliza querer explorar.

Novo Renault Twingo 100% elétrico abre a nova fase

O primeiro carro a inaugurar essa nova oferta será o novo Renault Twingo 100% elétrico, com apresentação prevista para o final do ano, conforme informou o Automotive News Europe.

Além do Twingo, há indicação de que um modelo da Dacia também deve receber a alternativa de bateria LFP, embora ainda não existam informações oficiais detalhando qual veículo será contemplado e em que momento.

A orientação da marca é oferecer escolhas dentro da mesma família de produtos. “Dependendo do modelo, queremos ter uma versão acessível e uma versão de melhor desempenho”, afirmou Fabrice Cambolive, CEO da Renault.

Nessa linha, o Renault Mégane E-Tech, que passará por atualização no próximo ano, também deve chegar ao mercado com a opção de bateria LFP.

Movimento já visto na Europa: Volvo e Mercedes-Benz

Na Europa, o Grupo Renault não é o primeiro a adotar essa abordagem de duas químicas para um mesmo modelo ou linha. A Volvo já colocou o EX30 à venda com opções de bateria LFP e NMC. A Mercedes-Benz, por sua vez, também pretende disponibilizar a nova geração do Classe A com uma alternativa de bateria LFP.

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