Cinco anos depois do primeiro AirPods Max, a Apple enfim apresentou sua sequência. O AirPods Max 2 chega com o chip H2, pensado para elevar a qualidade sonora e turbinar a redução ativa de ruído. O problema é que o visual continua absolutamente igual. Com preço de R$ 5.799, o AirPods Max 2 realmente justifica o investimento? A resposta está neste teste completo.
Em dezembro de 2020, a Apple mostrou o AirPods Max, seu primeiro fone de ouvido circumaural. O modelo chamou atenção pelo corpo em alumínio anodizado, pela Digital Crown inspirada no Apple Watch, pelo som de alta fidelidade e pela redução de ruído impressionante. Ainda assim, como costuma acontecer com qualquer nova família de produtos da marca, ele também dividiu opiniões. O preço foi considerado exagerado - afinal, custava 629 euros na época -, a case de proteção foi vista como esquisita e o conforto gerou debate. Por outro lado, a maioria dos avaliadores elogiou bastante a qualidade sonora e a ANC extremamente eficiente.
Depois disso, praticamente nada aconteceu. Em setembro de 2024, a Apple limitou-se a trocar a porta Lightning por USB-C e a atualizar as opções de cores. Enquanto isso, Sony seguia lançando novas gerações do WH-1000XM, a Bose renovava a linha QuietComfort Ultra e a Bowers & Wilkins ia empurrando o patamar de desempenho com o Px8. Ficar cinco anos sem mudanças relevantes em um produto perto dos R$ 6 mil é tempo demais. Muito tempo.
No dia 16 de março, quando muita gente já não esperava mais, a Apple apresentou o AirPods Max 2 de surpresa. Não houve vazamentos relevantes antes do anúncio, o que tornou o lançamento ainda mais inesperado. Equipado com o chip H2 - o mesmo usado no AirPods Pro 2 -, o novo fone promete redução de ruído 1,5 vez mais eficiente, áudio aprimorado e recursos inéditos. Isso basta para encarar a concorrência de frente? Usamos o AirPods Max 2 durante uma semana em primeira mão. A seguir, o teste completo.
O que mais gostamos no AirPods Max 2
Qualidade de áudio ainda melhor
Mesmo sem qualquer alteração externa no projeto - assunto que voltaremos a abordar -, o AirPods Max 2 entrega um som melhor do que nunca. O chip H2, combinado com um novo amplificador de alta faixa dinâmica, garante uma reprodução mais limpa, detalhada e aberta. É verdade que o driver dinâmico de 40 mm permaneceu o mesmo, então faz falta a oportunidade de a Apple atualizar também os transdutores. Ainda assim, o processamento de software faz um trabalho excelente. Os graves ficaram mais encorpados e equilibrados, os médios ganharam naturalidade e os agudos estão mais precisos, sem qualquer aspereza. A cena sonora também se ampliou de forma clara, com posicionamento de instrumentos muito mais convincente do que antes.
Totalmente refeito para aproveitar o chip H2, o equalizador adaptativo ajusta o som em tempo real conforme a posição das almofadas em relação aos seus ouvidos. Na prática, isso deixa a experiência mais uniforme, independentemente do formato da cabeça, do ambiente ou dos movimentos durante o uso.
O Áudio espacial personalizado com rastreamento dinâmico da cabeça também está entre os grandes destaques do AirPods Max 2. Para ver filmes no Apple TV ou ouvir discos mixados em Dolby Atmos no Apple Music, a imersão impressiona de verdade. A própria Apple afirma que o AirPods Max 2 é o único fone que permite aos músicos criar e mixar em Áudio espacial personalizado com rastreamento da cabeça no Logic Pro. Para quem produz conteúdo, esse é um argumento relevante.
Redução de ruído impressionante
Talvez esta seja a melhoria mais notável da segunda geração. A Apple promete uma redução ativa de ruído até 1,5 vez mais eficiente do que no primeiro AirPods Max, que já era forte. A dúvida era até onde a empresa conseguiria avançar, mas seus engenheiros encontraram a resposta. Barulhos constantes de fundo - como ar-condicionado, ruído de avião ou ambiente de escritório - são abafados com grande eficácia. Sons médios e agudos, normalmente mais difíceis de tratar pela ANC, também passaram a ser controlados de maneira melhor.
O modo Transparência, já excelente no modelo original, também foi refinado. O áudio captado agora soa mais natural graças a um novo algoritmo de processamento de sinal, otimizado para o chip H2 e para o conjunto de microfones do fone. Assim, desaparece aquela sensação de som meio “oco” que existia na primeira geração.
Outro destaque é o Áudio adaptativo, que regula automaticamente o equilíbrio entre redução de ruído e transparência de acordo com o ambiente. Mais uma vez, o resultado impressiona.
Qualidade das conversas
Boas notícias para quem fala bastante, trabalha em casa ou vive em videoconferências: as ligações finalmente ficam agradáveis. O recurso de Isolamento de Voz usa processamento de áudio computacional avançado para destacar sua fala e minimizar o som ao redor. Na prática, a pessoa do outro lado escuta você com clareza, mesmo em um café lotado ou em um escritório barulhento.
Isso representa um avanço real em relação à primeira geração e adiciona mais um ponto forte contra os rivais. Até hoje, porém, há um limite físico difícil de contornar: um microfone perto da boca, como num headset simples com fio, ainda costuma entregar resultados melhores em chamadas.
Com isso, o AirPods Max 2 encara de igual para igual o Sony WH-1000XM6, que até então dominava as ligações graças aos seis microfones e ao uso de inteligência artificial. Além disso, o fone da Apple conta com a integração de software do ecossistema da empresa, algo muito conveniente - embora também prenda o usuário a ele.
Novos recursos muito práticos
O chip H2 não melhorou apenas o áudio e a ANC: ele também trouxe uma série de recursos que os usuários de AirPods Pro já conheciam, mas que faltavam ao AirPods Max.
A Detecção de Conversa é especialmente útil no dia a dia. Assim que você começa a falar com alguém, o fone reduz automaticamente o volume e atenua o ruído de fundo. Dessa forma, você não precisa tirar o fone nem apertar botão algum para responder rapidamente à pessoa na copa do escritório, embora ainda seja mais educado removê-lo em algumas situações.
A Tradução ao Vivo, impulsionada pelo Apple Intelligence, permite conversar em outro idioma em tempo real. Basta pressionar por alguns segundos o botão Modo de Escuta para que o fone traduza, na sua língua, o que o interlocutor estiver dizendo.
Por fim, a função de controle remoto da câmera - já conhecida nos AirPods - foi uma surpresa positiva. Ao pressionar a Digital Crown, você pode disparar uma foto ou iniciar uma gravação de vídeo no iPhone ou no iPad. É um truque? Talvez. Mas criadores de conteúdo certamente vão gostar dessa solução sem as mãos, especialmente para gravações à distância.
Também vale destacar a chegada do Bluetooth 5.3, que reduz a latência no uso sem fio e deixa jogos e vídeos mais confortáveis do que antes.
Bateria e uso no dia a dia
A Apple não transformou o AirPods Max 2 em um campeão de autonomia, e isso continua sendo um ponto a observar. Ainda assim, a integração com os dispositivos da marca ajuda bastante na rotina: alternância automática entre iPhone, iPad, Mac e Apple TV, pareamento imediato e troca fluida de aparelhos tornam o uso cotidiano muito simples. Para quem vive dentro do ecossistema Apple, essa conveniência acaba pesando quase tanto quanto o som.
O que gostamos menos no AirPods Max 2
O design icônico continua intocado
Mesmo desenho, mesmos materiais, mesmas cores. Nenhum botão mudou, nenhum grama foi economizado, nenhuma curva foi redesenhada. O AirPods Max 2 é idêntico ao modelo anterior em todos os aspectos, mesmo tendo sido lançado há cinco anos. É uma pena, porque alguns ajustes práticos fariam mais sentido do que qualquer retoque estético.
O primeiro problema é o peso. O AirPods Max 2 continua com 385 gramas. Isso representa cerca de 50% a mais que um Sony WH-1000XM6, com aproximadamente 250 g, ou que um Bose QuietComfort Ultra, com 260 g. É verdade que a construção em plástico desses rivais parece menos sofisticada, mas, no uso diário, ela costuma ser mais agradável.
A distribuição do peso pelo arco de tecido é bem pensada, mas a física cobra seu preço depois de cerca de uma hora de audição. O pescoço cansa e o fone acaba pesando no conforto. A opção por alumínio anodizado e aço inoxidável, por mais premium que pareça ao toque, fica cada vez mais difícil de defender. Isso chama ainda mais atenção porque esse mesmo problema já havia sido apontado por muitos testadores na primeira geração.
Embora o arco de tecido ajude a amenizar o peso, ele também traz dúvidas sobre durabilidade. Depois de alguns meses de uso intenso, a primeira geração tendia a sujar e a deformar. E não há previsão de substituição simples pelo próprio usuário. É frustrante.
A Apple também insiste na sua Smart Case, a capa de transporte que continua absurda. Esse meio estojo protege o fone apenas parcialmente, mas segue quase obrigatório, já que o AirPods Max 2 ainda não tem botão de liga/desliga. Para desligá-lo, é preciso guardá-lo na case. Caso contrário, resta esperar a suspensão automática, o que afeta de forma significativa a bateria, que já não é excelente. Em 2026, essa decisão é difícil de entender.
E há ainda outro inconveniente: o design continua sem dobradiças, o que deixa o transporte muito menos prático.
Tem áudio sem perdas, mas não sem fio
Este é o ponto que mais incomoda quem leva áudio a sério. O AirPods Max 2 suporta áudio lossless de 24 bits / 48 kHz, mas somente com cabo, usando o cabo USB-C incluso. No Bluetooth, o usuário fica limitado aos codecs AAC e SBC. Nada de LDAC, nada de codec proprietário de alta resolução.
Ou seja: para aproveitar todo o potencial de um fone sem fio de R$ 5.799, é preciso... conectá-lo ao cabo. Em 2026, com a Sony oferecendo transmissão sem fio de alta resolução via LDAC há anos, essa postura da Apple soa completamente ultrapassada. E não é como se os concorrentes estivessem parados: o Bose QuietComfort Ultra tem suporte ao aptX Adaptive, enquanto os fones da Bowers & Wilkins lidam com aptX Adaptive e LDAC.
Ao menos a reprodução com fio realmente entrega qualidade sonora excepcional. Ainda assim, fica o gosto amargo.
Preço ainda alto demais
R$ 5.799. Esse é o preço do AirPods Max 2 no Brasil. É o mesmo patamar da versão USB-C de 2024, mas a concorrência avançou sem esperar a Apple.
Para muita gente, o Sony WH-1000XM6 é a principal referência do mercado. Ele custa R$ 4.499 no preço oficial e aparece com frequência por menos de R$ 3.300 em promoção. Traz bateria superior, chegando a 30 horas contra 20, design dobrável, LDAC e uma redução ativa de ruído no mínimo tão competente quanto a do rival da Apple. Por cerca de R$ 2.300 a menos, você leva um produto mais completo e ainda compatível com o universo Android.
O Bose QuietComfort Ultra de segunda geração custa em torno de R$ 4.499 e aposta em ANC de referência, conforto excelente e suporte ao aptX Adaptive. Já o Sennheiser Momentum 4, com autonomia recorde de 60 horas, costuma aparecer por volta de R$ 3.500.
Se a Apple consegue cobrar tanto, é porque sustenta sua proposta em um ecossistema muito coeso: troca automática entre iPhone, iPad, Mac e Apple TV, integração impecável com Apple Music e Spatial Audio, além dos recursos do Apple Intelligence, pelo menos no estado atual. A dúvida para o consumidor é simples: essa conveniência vale a diferença de R$ 1.500 a R$ 2.300?
O que os concorrentes oferecem por esse preço?
O Sony WH-1000XM6 é o rival mais óbvio. Ele traz redução de ruído extremamente forte, áudio em alta resolução com LDAC, design dobrável e compacto, 30 horas de bateria, equalizador personalizado de 10 bandas e compatibilidade ampla com iPhone e Android. Hoje, é provavelmente o pacote com melhor custo-benefício do segmento.
O Bose QuietComfort Ultra de 2ª geração gira em torno de R$ 4.499 e aposta em conforto superior, uma das melhores ANC do mercado, aptX Adaptive e som refinado em relação à primeira versão. É um fone versátil, confortável e fácil de recomendar para diferentes perfis.
O Bowers & Wilkins Px8 S2, na faixa dos R$ 7.999, mira o público mais audiófilo e disposto a gastar mais. Ele traz couro Nappa, alumínio, drivers de fibra de carbono de 40 mm, som de extrema delicadeza e 30 horas de autonomia. Custa mais que o AirPods Max 2, mas entrega uma qualidade sonora acima. O irmão menor, o Px7 S3, aparece por volta de R$ 4.299 e surge como um ótimo meio-termo.
Para quem busca luxo sem concessões, o Bang & Olufsen Beoplay H95 fica perto de R$ 9.000. Couro de cordeiro, alumínio e reprodução quase perfeita fazem dele uma joia para quem quer sofisticação máxima.
Por fim, o Focal Bathys, na faixa de R$ 6.999, também merece destaque entre os entusiastas. É um dos raros fones sem fio com DAC integrado, e a assinatura sonora do fabricante francês impressiona pela precisão.
Veredito sobre o AirPods Max 2
O AirPods Max 2 é um caso curioso. Em som e redução de ruído, a evolução é clara. O chip H2 finalmente deu novo fôlego a um fone que vinha parado demais no tempo. A ANC já está entre as melhores do mercado, a qualidade de áudio é excelente e os novos recursos - como Áudio adaptativo, Detecção de Conversa e Tradução ao Vivo - acrescentam valor real ao cotidiano. Além disso, a integração com o universo Apple continua incomparável.
Apesar disso, a sensação dominante é de frustração. A Apple tinha à disposição retorno suficiente para corrigir os principais problemas da primeira geração. O peso, a falta de dobragem, a case mal pensada, a bateria ainda limitada a 20 horas e o áudio sem perdas restrito ao cabo continuam ali, sem mudanças relevantes. Teria sido ótimo ver a empresa usar esses cinco anos para repensar ergonomia, reduzir peso e oferecer um codec sem fio de alta resolução à altura.
Os AirPods Max 2 são o melhor fone do mercado? Objetivamente, não. São o melhor fone para quem usa produtos Apple? Sem dúvida.
AirPods Max 2
| Item | Avaliação |
|---|---|
| Preço | R$ 5.799 |
| Nota geral | 8,9 |
| Design e acabamento | 8,0/10 |
| Qualidade de áudio | 10,0/10 |
| Redução de ruído | 9,5/10 |
| Autonomia e recarga | 8,0/10 |
| Custo-benefício | 9,0/10 |
Gostamos
- Qualidade de áudio excelente
- Redução de ruído impressionante
- Excelente qualidade nas chamadas
- Recursos e integração com o ecossistema Apple
- Construção premium
Gostamos menos
- Design inalterado desde 2020, pesado e pouco confortável
- Sem áudio sem fio em alta definição
- Autonomia mediana e estojo mal resolvido
- Muito preso ao ecossistema Apple
- Preço elevado
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário