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Artemis 2 entra na reta final após sobrevoar o lado oculto da Lua

Capsula de espaçonave pousando no oceano com paraquedas laranja e branco aberto ao amanhecer.

Depois de cruzar o lado oculto da Lua e estabelecer novos recordes de distância, os quatro astronautas da missão Artemis 2 iniciam a etapa decisiva da viagem. Se a ida foi uma demonstração técnica impressionante, a parte mais exigente ainda está por vir: o regresso à Terra.

Impulsionada pela força do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), a cápsula Orion escapou da gravidade terrestre na semana passada graças a uma injeção translunar executada com precisão. Foi esse impulso que colocou Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen no caminho em direção à Lua.

Além do feito esportivo e tecnológico, a missão também funciona como um teste em condições reais para sistemas que serão essenciais nas próximas viagens tripuladas. Navegação, suporte à vida, gestão de energia e procedimentos de emergência estão sendo observados de perto, já que cada detalhe validado agora reduz riscos nas missões seguintes.

O momento mais marcante da Artemis 2 ocorreu em 6 de abril, quando a tripulação passou sobre o satélite natural da Terra e chegou a voar atrás do seu lado oculto. Os astronautas puderam assistir também ao pôr da Terra e observar regiões que, até então, jamais haviam sido vistas por olhos humanos. A equipe ainda superou o recorde de distância alcançado pela Apollo no início da década de 1970.

A partir de agora, a dinâmica orbital transforma a trajetória da Orion em uma queda acelerada de volta ao planeta. Mas, antes de tocar o solo, a cápsula terá de atravessar a atmosfera - a camada protetora que torna a vida possível, mas que também se converte em um autêntico muro de fogo para qualquer objeto que tente atravessá-la em alta velocidade.

Reentrada atmosférica da Artemis 2: 8 minutos de fogo e plasma

Na sexta-feira, 10 de abril, no horário da França metropolitana, a Orion atingirá as camadas mais densas da atmosfera a 38.600 quilômetros por hora, bem acima dos 28.000 quilômetros por hora registrados nas reentradas de astronautas que retornam da Estação Espacial Internacional (ISS). A diferença não é pequena: quanto maior a velocidade, maior também a quantidade de energia que precisa ser dissipada na forma de calor.

Nessa velocidade extrema, o ar não se afasta da nave; ele é comprimido com violência. O resultado é a formação de uma camada de plasma incandescente, que pode chegar a 2.760 graus Celsius. É justamente essa fase que mais preocupa os engenheiros. Durante a Artemis 1, em 2022, o escudo térmico sofreu danos inesperados, e fragmentos acabaram se soltando antes da hora por causa de gases presos na estrutura.

Para aumentar a margem de segurança, a NASA alterou profundamente a estratégia. Em vez de quicar na atmosfera, a cápsula entrará em um ângulo mais direto. A intenção é diminuir o tempo exposta ao calor extremo, ainda que isso obrigue os astronautas a suportarem uma desaceleração bem mais dura. Durante esses oito minutos de tensão, a cápsula ficará isolada do resto do mundo por um apagão total de comunicações provocado pelo plasma.

O ballet de paraquedas antes do pouso no oceano

Depois dessa etapa crítica, a missão entra na fase de estabilização. A cerca de 8.000 metros de altitude, quando a cápsula ainda estiver a 500 quilômetros por hora, 11 paraquedas serão acionados em uma sequência cuidadosamente calculada para reduzir a velocidade da descida.

As três velas principais, cada uma com 35 metros de diâmetro, vão enfim desacelerar a Orion até cerca de 30 quilômetros por hora. O pouso na água está programado para o oceano Pacífico, ao largo de San Diego, onde o navio USS John P. Murtha já aguarda a chegada da tripulação.

A recuperação da cápsula após o amerissagem também será uma operação delicada. Equipes especializadas deverão estabilizar a Orion, assegurar que todos os sistemas estejam seguros e preparar o transporte da nave para análises minuciosas. Essas inspeções ajudam a confirmar se o desempenho observado em voo corresponde ao que foi projetado em solo.

O êxito dessa manobra é essencial: ele confirmará de forma definitiva o desenho da Orion e abrirá caminho para a Artemis 3 e, depois, para a Artemis 4, missão que deverá devolver a humanidade à superfície da Lua.

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