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O escândalo de **Miss France 2026** que dominou a semana na TV

Mulher com faixa Miss France 2026 e coroa, em palco, cercada por público tirando fotos com celulares.

O que começou como um típico momento de frustração depois de uma derrota virou, na França, o escândalo televisivo da semana. Miss Provence e Miss Aquitaine perderam seus títulos por causa de um curto vídeo gravado nos bastidores. Mas será que isso realmente justificava uma reação moral tão dura - ou foi apenas um exagero em meio a um clima inflamado nas redes sociais?

O que realmente aconteceu em Amiens no Miss France 2026

Em 6 de dezembro de 2025, a nova Miss France 2026 é coroada em Amiens, no norte da França: Hinaupoko Devèze, Miss Martinique, vence ao vivo na televisão. Já no dia seguinte, quase ninguém fala mais da vitória dela, e sim de uma cena captada nos bastidores.

Em uma gravação de celular feita em caráter privado, que mais tarde acaba nas redes sociais, Miss Aquitaine faz comentários depreciativos sobre o Top 12 montado para a final. Ao lado dela, Miss Provence solta uma palavra grosseira para se referir às finalistas - termo que, na internet, passa a ser tratado como uma “ofensa”. O vídeo se espalha em velocidade impressionante, e ondas de indignação tomam as caixas de comentários e a imprensa sensacionalista.

Em 48 horas, uma reclamação de bastidor vira um teatro moral em escala nacional.

O resultado foi imediato: os comitês regionais retiram o título das duas, junto com faixa, privilégios e presentes. Suas respectivas vice-colocadas assumem seus lugares. O presidente do comitê Miss France classifica o vídeo como “vergonhoso”, e os responsáveis pelo concurso se afastam publicamente do episódio.

As candidatas reagem - com pedidos de desculpa

As duas envolvidas respondem rápido - e de forma detalhada. Miss Aquitaine publica no Instagram um texto longo, no qual admite ter sido levada pelo momento. Ela fala de um “momento em que não correspondeu aos valores” que o concurso e o ambiente ao redor lhe transmitiram.

Ela reforça que o vídeo tinha sido pensado apenas para um círculo pequeno e privado. O que disse e o que endossou, afirma, não reflete sua visão sobre as pessoas. Ao longo do texto, ela insiste em dizer o quanto lamenta a escolha das palavras e pede perdão aos envolvidos e ao público.

Miss Provence explica em uma story que usou a palavra em questão em “sentido coloquial” para falar das felizes classificadas na semifinal e que não pretendia atacar ninguém pessoalmente. Em entrevista a um jornal regional, ela aparece visivelmente abalada e diz que tudo não passou de uma “piada boba” em um ambiente extremamente tenso.

Foi só uma brincadeira ruim ou uma ofensa de verdade?

A pergunta principal é: tratou-se de insultos realmente ofensivos ou apenas de uma maneira de mau gosto de expressar frustração e humor ácido? Miss Provence descreve o cenário assim: 18 participantes eliminadas choram nos bastidores, o clima está totalmente no fundo do poço. Ela tenta aliviar a tensão com doces e piadas depois que uma monitora supostamente teria liberado, em outras palavras, que agora “já podiam xingar” de novo.

É nesse contexto que ela faz o comentário sobre as qualificadas. Ela diz que já havia repetido a mesma piada outras vezes sem que ninguém se incomodasse - só que, desta vez, tudo foi filmado e divulgado. A intenção, segundo ela, era arrancar uma risada rápida do próprio grupo de eliminadas.

Gostar da piada ou achá-la de mau gosto é uma questão; transformar isso em o fim da carreira é outra completamente diferente.

O preço alto: coroa fora, onda de indignação nas redes

Com a decisão dos comitês, a mensagem é clara: quem prejudica a imagem da marca Miss France perde a função - mesmo que a fala tenha sido feita em um contexto privado. Os críticos veem punição excessiva para duas mulheres na casa dos 20 anos, que falaram no calor do momento. Já os defensores apontam para a função de exemplo público e para o código de conduta ao qual as candidatas se comprometem.

O ponto mais delicado é outro: segundo o chefe do comitê Miss France, as participantes tinham sido avisadas várias vezes sobre os riscos do uso de smartphones e das redes sociais. Selfies, stories, fotos em grupo - tudo sensível, tudo potencialmente público. Ainda assim, foi exatamente assim que o vídeo surgiu.

  • código de conduta claramente definido para as candidatas
  • alertas repetidos sobre armadilhas das redes sociais
  • gravação aparentemente privada acaba vazando
  • onda de indignação, repercussão na mídia e perda do título como consequência

No fim, Miss Provence se sente traída em dobro: pela amiga da Aquitaine, que teria publicado o vídeo sem avisá-la, e por parte do público, que agora a rotula como “birrenta”. Segundo ela, chegam dezenas de milhares de mensagens, muitas delas carregadas de ódio. Acabou contratando um advogado e anuncia ações contra um influenciador e contra a plataforma X por difamação e cyberbullying.

Como a vencedora quase desaparece da conversa

Ao mesmo tempo, a verdadeira vencedora, Hinaupoko Devèze, quase vira figurante do debate. E, no entanto, ela tem uma trajetória interessante: tem 23 anos, cresceu no sul da França, tem raízes familiares nas Ilhas Marquesas e voltou à Polinésia por decisão própria. Ela estuda psicologia depois de ter passado por um burnout e se dedica com intensidade à saúde mental.

Além da faculdade, trabalha como funcionária administrativa e organiza viagens sustentáveis para as Marquesas. Com 1,82 metro, é a candidata mais alta da edição, e, segundo Miss Provence, goza de grande prestígio entre as participantes. Na entrevista, Miss Provence fala com carinho de uma amizade próxima e elogia a nova Miss France como alguém ideal para o cargo.

Quem mais esteve no topo da turma?

Colocação Título
Miss France 2026 Hinaupoko Devèze (Miss Martinique)
1ª vice Miss Nova Caledônia, Juliette Collet
2ª vice Miss Normandia, Victoire Dupuis
3ª vice Miss Guadalupe, Naomi Torrent
4ª vice Miss Rossilhão, Déborah Adelin Chabal

Mesmo assim, ela também recebe as primeiras manchetes negativas: um videoclipe musical antigo com um rapper é resgatado, e boatos sobre seu comportamento na viagem de preparação começam a circular. A escolha de uma rainha nacional da beleza mostra como o olhar público hoje passa a examinar cada passo com implacável minúcia.

Concursos de beleza na era das redes sociais

O caso é um exemplo claro de como os concursos de beleza mudaram. Antes, júri e público decidiam; hoje, um enxame incontrolável também julga em tempo real. Uma única frase, retirada do contexto, basta para prejudicar carreiras. O que aumenta ainda mais o risco é a combinação de candidatas muito jovens, grande pressão por desempenho e a tentação constante de filmar e postar tudo.

Três fatores se reforçam mutuamente aqui:

  • Visibilidade permanente: momentos privados praticamente deixam de existir assim que há um celular no ambiente.
  • Proteção da marca pelos organizadores: os responsáveis reagem rápido e de forma dura para não correr risco de dano à imagem.
  • Cultura da indignação: as redes sociais premiam o exagero, não a nuance; isso agrava os julgamentos.

A questão central é menos se a fala foi bonita - e mais se toda frase impensada precisa ser transformada automaticamente em uma crise existencial.

Onde começa a responsabilidade - e onde está o exagero?

A organização Miss tem razões compreensíveis: quem quer ser vitrine nacional deve se expressar com respeito, especialmente em relação às colegas. Quem usa palavreado pesado, logicamente, corre risco de punição. Ao mesmo tempo, as candidatas são retratos realistas da própria geração - inclusive na linguagem que muita gente usa em privado entre amigos.

Esse ponto de tensão aparece em dois momentos: primeiro, quando uma conversa privada vira pública sem querer. Segundo, quando jovens mulheres precisam defender a própria saúde mental contra uma multidão online que frequentemente ofende de forma muito mais pesada do que aquilo que estava no vídeo original.

Justamente porque a nova Miss France vê a saúde emocional como sua principal causa, o contraste fica amargo. De um lado: campanhas contra o bullying, pela resiliência e por um convívio mais respeitoso. Do outro: chacota implacável contra duas candidatas que demonstram arrependimento de forma bastante plausível.

Para as próximas edições, esse escândalo pode ter dois efeitos: as candidatas tendem a ficar ainda mais cautelosas, mais comportadas e talvez até mais sem graça. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para apresentar uma imagem impecável ao público, enquanto a frustração interna aumenta. Para um evento que deveria vender leveza, glamour e sonho, esse é um caminho arriscado.

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