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Trem de luxo lança nova rota dos sonhos de Paris à Costa Amalfitana.

Casal elegante com taças brinda no trem com vista para cidade costeira e mar ao amanhecer.

Um trem de luxo com quase 100 anos de história vai, em breve, fazer algo inédito: em vez de seguir para Viena ou Budapeste, ruma direto para o sol, os limoeiros e os penhascos dramáticos do sul da Itália. O célebre Venice Simplon-Orient-Express estreia um novo itinerário, ligando Paris à deslumbrante Costa Amalfitana - com paradas que, para muita gente (mesmo com alto poder aquisitivo), normalmente só existem em cartões-postais.

Ícone histórico do luxo ferroviário em uma nova rota

Há décadas, o Venice Simplon-Orient-Express é visto como sinônimo de viagem elegante sobre trilhos. Seus vagões azul-escuros, originalmente das décadas de 1920 e 1930, passaram por uma restauração minuciosa e hoje lembram um grande hotel em movimento. Por dentro, o clima é de época: madeira polida, detalhes em latão reluzente, luminárias art déco e tecidos pesados.

O trem pertence ao grupo de luxo Belmond, marca do conglomerado LVMH, conhecido por hotéis sofisticados e experiências de viagem exclusivas. Até agora, a operação conectava principalmente Paris a destinos clássicos como Veneza, Viena e Budapeste. Desta vez, a proposta muda o foco de vez: o destaque sai do ambiente de metrópole e passa para o panorama do mar.

"O Orient-Express sai da zona de conforto das capitais europeias e aponta diretamente para uma das costas mais fotogênicas da Europa."

A partida continua acontecendo no cenário histórico da Gare de l’Est, em Paris - de onde, desde 1883, trens sob o nome Orient-Express iniciavam jornadas rumo ao leste. Quem embarca ali escolhe entrar em outro ritmo: nada de sensação de alta velocidade, e sim luxo desacelerado, com música de piano no vagão-bar.

Três noites entre nostalgia, cultura e dolce vita

O novo roteiro foi desenhado para três noites e segue uma sequência bem marcada: primeiro, a travessia com todo o charme do trem; depois, uma experiência exclusiva ligada à Antiguidade; por fim, a imersão total na Costa Amalfitana.

Primeira etapa: de Paris ao sul azul

No meio da tarde, os passageiros deixam Paris para trás enquanto os bairros periféricos passam pela janela e, dentro do trem, a equipe prepara o jantar. Chefs servem um menu de vários tempos inspirado nas tradições francesa e italiana, naturalmente acompanhado por vinhos selecionados.

Durante a noite, o Venice Simplon-Orient-Express segue para o sul. Os viajantes se recolhem aos compartimentos, que de dia funcionam como salões elegantes e, à noite, se transformam em cabines para dormir. Lá fora, paisagens e fronteiras mudam; por dentro, a atmosfera permanece estável, silenciosa e acolhedora.

Segunda etapa: acesso exclusivo a Pompeia

Após a primeira noite nos trilhos, vem uma parada rara: Pompeia. A cidade antiga aos pés do Vesúvio já está entre os sítios arqueológicos mais visitados do mundo - mas, neste roteiro, os passageiros recebem um tipo de acesso que o visitante comum não tem.

O programa inclui uma visita guiada à Casa del Larario, uma residência normalmente fechada ao público. Ali, afrescos preservados, pátios internos e objetos do cotidiano ajudam a reconstruir como era a vida romana pouco antes da erupção do Vesúvio. O grupo circula em formato reduzido, longe do fluxo típico de multidões.

"O pacote une uma das cidades em ruínas mais famosas da Antiguidade a uma área que permanece desconhecida até para muitos fãs de arqueologia."

Depois da visita, a viagem continua em direção ao litoral - não para descer direto à praia, mas para subir às colinas acima da Costa Amalfitana.

Ravello e o Venice Simplon-Orient-Express: camarote sobre a Costa Amalfitana

O destino final da viagem de trem é Ravello, uma pequena cidade no alto, com vista para o mar. Dali, enxergam-se enseadas da Costa Amalfitana, casas em terraços agarradas às encostas, jardins de limão e ruas estreitas.

A hospedagem acontece no Caruso, hotel de luxo da Belmond instalado em um antigo palácio que se ergue sobre os rochedos. Os hóspedes ficam duas noites por lá; a partir desse ponto, o trem deixa de ser o centro da experiência - os trilhos cedem espaço ao mar, aos jardins e à piscina.

Programa na Costa Amalfitana

O roteiro local privilegia experiências seletivas e, de propósito, menos concorridas. Entre as atividades previstas, estão:

  • Passeios privativos de barco até pequenas enseadas e reentrâncias rochosas difíceis de acessar por terra
  • Aulas de culinária em formato íntimo com especialidades regionais, como massa fresca, peixe do Golfo de Salerno e limões de Amalfi
  • Caminhadas por jardins históricos com vistas impressionantes da costa e do mar
  • Tempo livre no infinity pool do hotel, que dá a sensação de se fundir com o Mediterrâneo

Para encerrar, está planejado um jantar de gala à beira dessa piscina, com a costa iluminada ao fundo e céu estrelado. O desfecho não acontece em uma plataforma de estação - e sim, na prática, em uma espécie de varanda sobre o mar.

Quanto custa o sonho - e para quem faz sentido?

Quem quiser embarcar precisa preparar o bolso. O valor inicial fica em torno de 10.000 euros por pessoa. Esse montante inclui o deslocamento no trem, todas as refeições a bordo, os passeios exclusivos e a estadia no hotel cinco estrelas em Ravello.

Item do pacote Incluído no preço
Viagem de trem Paris – Costa Amalfitana Sim, com pernoite no compartimento
Gastronomia no trem Todas as refeições e bebidas conforme o programa
Excursão a Pompeia Visita guiada com acesso exclusivo
Hospedagem em Ravello Duas noites no hotel de luxo Caruso
Gastos opcionais no destino Extras individuais não incluídos

A primeira data está marcada para 4 de maio de 2026. Observadores do setor acreditam que as poucas vagas devem se esgotar rapidamente - o público-alvo é, sem rodeios, o de viajantes com alta capacidade financeira, dispostos a pagar por encenação, privacidade e exclusividade.

Por que os trens de luxo voltaram a ganhar espaço

Operadores de turismo vêm registrando, há alguns anos, um interesse crescente por viagens ferroviárias com apelo nostálgico. Muita gente já não quer apenas chegar o mais rápido possível, e sim transformar o trajeto em parte do prazer. Nostalgia, consciência ambiental e a busca por uma “desaceleração leve” entram nessa conta.

Em comparação com voos regulares, deslocamentos de trem normalmente geram menos emissões por pessoa - embora a pegada ambiental de um trem de luxo, com poucos passageiros, possa pesar mais do que a de uma ligação comum totalmente ocupada. Para muitos clientes com orçamento folgado, o principal é sentir a viagem acontecer em ritmo lento, sem abrir mão do conforto.

Alternativas práticas para viajantes comuns

Quem sente vontade de ir, mas não pode (ou não quer) pagar por esse tipo de experiência, ainda consegue reproduzir parte do espírito da proposta com algumas opções:

  • Usar trens noturnos ou conexões Intercity de Paris rumo à Itália e reservar separadamente um hotel na Costa Amalfitana.
  • Procurar trens mais acessíveis, porém charmosos, em outras regiões - como rotas panorâmicas na Suíça ou na Áustria.
  • Escolher um boutique hotel no litoral que não pertença a uma marca de luxo, mas ofereça um clima semelhante com vista, piscina e cozinha regional.

O essencial - viajar com calma, comer com atenção e aproveitar a paisagem - também é possível sem taças de cristal e vagão-bar art déco, desde que a rota seja planejada com tempo e inclua paradas no caminho.

Para o mercado, a novidade funciona como um teste: se der certo uma ligação que não termina em uma capital tradicional e aposta, em vez disso, em uma região de impacto paisagístico, outras rotas parecidas tendem a aparecer. Quem acompanha o universo das viagens de trem pode, portanto, esperar nos próximos anos combinações mais incomuns de trilhos, cultura e litoral.

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