A marca francesa de produtos para atividades ao ar livre dá um novo passo no universo da moda ao contratar, pela primeira vez, um diretor artístico - movimento típico das grandes maisons de alta-costura. O finlandês detalha essa visão em uma entrevista.
A Salomon é uma marca francesa sediada em Annecy, mas o seu controlador é finlandês. A Amer Sports - que também é dona de Arc’teryx, Wilson e Atomic - acaba de reforçar ainda mais essa influência local com a nomeação recente de Heikki Salonen como o primeiro diretor artístico da história da Salomon. A partir de agora, os próximos lançamentos passam a ser pensados dentro de uma lógica de moda, e não apenas de performance técnica voltada ao esporte, como acontecia até aqui.
Em entrevista exclusiva ao veículo WWD (Women’s Wear Daily), Heikki Salonen se descreveu como “um caminhante no mundo da moda” que agora será “um estilista no mundo da caminhada”. Antes de chegar à Salomon, ele era responsável pela linha contemporânea da Maison Margiela, a MM6. Criada em 1997, essa linha - hoje bastante chique e urbana - colabora com a Salomon desde 2022, o que mostra que essas pontes já existiam e que a passagem tende a acontecer de forma natural.
Salomon e o estilo: da moda “sem querer” ao embalo do “Gorpcore”
Entrar em uma marca outdoor - ainda mais em uma que não tinha, de fato, uma linha artística estruturada como a de casas de alta-costura - torna a tarefa especialmente sensível. A Salomon, que virou marca “da moda” meio “apesar de si mesma” e depois passou a surfar a tendência de um visual urbano com pegada outdoor e esportiva (apelidada de “Gorpcore”, de ““Good Ol’ Raisins and Peanuts””, em referência a lanchinhos de trilha), quer acelerar nessa direção sem perder credibilidade.
Por isso, em vez de se colocar como alguém que vai “reinventar” a Salomon, as primeiras falas de Heikki Salonen desde que assumiu o posto reconheceram o trabalho já feito e o prestígio conquistado. “O que é fantástico na Salomon é que não há nada a criticar; a marca tem um histórico excepcional e já oferece produtos excelentes”. Ele também reforçou que roupas e calçados continuarão sendo concebidos прежде de tudo para o esporte e a montanha, mas que, se “alguém quiser usar nossos produtos em outros lugares, ficaremos felizes”, completou.
Salomon renova o time: Heikki Salonen traz sua braço direito, Laure Herbst
Ainda assim, a chegada do estilista finlandês inevitavelmente marca o início de uma virada criativa de grande porte - a primeira desse tipo na história da marca. E Heikki Salonen parece ter plena noção disso. Pelo que se entende, nos bastidores ele teria carta branca para colocar a Salomon ainda mais em evidência: “Chego em um momento particularmente estimulante em que tudo é possível.”
Ele não vai tocar essa nova fase sozinho. Ao seu lado está sua braço direito, Laura Herbst, recentemente nomeada diretora do estúdio. Na Salomon, ele também passa a trabalhar com um nome que veio da Nike: Nick Parkinson, que saiu em março do ano passado para se juntar à marca francesa como diretor criativo. Ao mesmo tempo, a guinada conduzida por Salonen coincide com a saída do diretor global da marca, Scott Mellin, que ocupava o cargo havia 3 anos.
Por fim, a direção executiva da Salomon permanece a mesma. O CEO continua sendo o francês Guillaume Meyzenq, que definiu a nomeação de Heikki Salonen como uma “unificação do posicionamento da marca, da experiência do cliente e da inovação de produto”. Para provocar curiosidade antes de colocar as ideias em prática, Heikki Salonen encerrou dizendo que o futuro da Salomon deve surpreender. Ele afirma que pretende “inovar onde o setor acabou estagnando um pouco”, declarou. “Vocês vão ver um novo produto Salomon e, talvez, até algo inesperado da nossa parte.”
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