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Troquei meu MacBook Pro M4 pelo MacBook Neo: a Apple faz história na tecnologia.

Homem sentado em mesa de madeira usando laptop MacBook Neo em ambiente claro com plantas ao fundo.

A € 699, o MacBook Neo se torna o notebook mais barato que a Apple já colocou à venda. Eu passei 10 dias usando esse modelo como computador principal - no lugar do meu MacBook Pro M4 - e a experiência foi melhor do que eu esperava.

Existem lançamentos que apenas chamam atenção, outros que despertam vontade imediata de comprar. E há aqueles que acabam virando referência. Para mim, o MacBook Neo entra nessa última categoria.

Parece exagero? Não é. Por € 699, ele não é “barato” no sentido típico do mercado (produto montado cortando tudo o que dá para caber no orçamento). O Neo é acessível no sentido mais literal: um notebook realmente bom, com cara de produto completo, ao alcance de muito mais gente.

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“Demorou” - vão dizer os críticos. Difícil discordar, considerando a política de preços da Apple até aqui. Ainda assim, vale registrar o tamanho da virada: não me lembro de outro produto da Apple com uma relação custo-benefício tão forte, ainda mais num momento em que vários concorrentes estão elevando preços com força.

Antes de discutir o impacto disso na imagem da marca, vamos ao que interessa: o aparelho. Durante 10 dias, eu substituí meu MacBook Pro M4 pelo MacBook Neo mais básico (8 GB / 256 GB, sem Touch ID). Ele virou minha máquina principal no trabalho de editor-chefe, com tarefas variadas e exigência alta. Antecipando a conclusão: o MacBook Neo me surpreendeu.

Um MacBook Neo (Apple) com cara de premium por preço baixo

Mesmo com preço agressivo, o MacBook Neo segue a cartilha de acabamento da Apple. O corpo é de alumínio unibody, no mesmo estilo dos MacBook Air e MacBook Pro que custam duas ou três vezes mais. A sensação na mão é de rigidez e solidez: nada de rangidos, folgas ou peças “económicas”.

A Apple também acertou ao apostar em cores mais ousadas e desejáveis (eu me rendi ao amarelo que puxa para o verde). Essa escolha pode ser um trunfo: o Neo tem aquele “algo a mais” que lembra o impacto do iBook (1999). E, principalmente, ele foge do lugar-comum de concorrentes quase sempre cinzentos ou pretos, muitas vezes com plástico de qualidade duvidosa. Mesmo para quem não liga tanto para estética, o MacBook Neo dificilmente passa despercebido - e isso tende a contar pontos nas prateleiras.

O teclado também vai agradar muita gente. Pela primeira vez, a Apple oferece um teclado a combinar com a cor do portátil: no meu modelo amarelo/verde, as teclas vêm levemente tingidas num tom mais claro. Houve rumores de que seria um teclado “capado”, mas não: é o mesmo do MacBook Air. A única diferença - que pode incomodar bastante quem trabalha no escuro - é que não há retroiluminação.

Tirando isso, a experiência é excelente. A digitação é confortável, com curso bem definido, e aguenta sessões longas de texto sem sofrimento. No panorama atual, o teclado do Neo continua a ser um dos melhores entre notebooks, independentemente de faixa de preço.

O trackpad acompanha o nível: apesar de não ter feedback háptico (algo esperado num produto mais barato), ele é grande, preciso e gostoso de usar no dia a dia. O acabamento segue impecável, e o clique tem boa resposta.

A tela merece um parágrafo à parte. Ela não tenta competir com um Liquid Retina XDR a 120 Hz, mas entrega o que precisa entregar para a proposta: boa luminosidade, cores fiéis e imagem limpa. Em 10 dias (web, texto, filmes e séries, edição de fotos e até vídeo), em nenhum momento senti que a tela me travava.

Na conectividade, a Apple foi pragmática com as limitações do A18 Pro e colocou um conjunto condizente com o público-alvo. Há duas portas USB‑C (uma 3.0 e outra 2.0) para acessórios (adaptadores, SSD, etc.) e ambas carregam o computador - em velocidades diferentes. Também existe entrada P2 (3,5 mm) na lateral esquerda. O áudio vem de dois altifalantes nas laterais, com som estéreo forte e limpo para a categoria.

Desempenho que engana muita gente

O MacBook Neo usa o A18 Pro, o mesmo chip da linha iPhone 16 Pro. Em vez de mergulhar em números, prefiro traduzir em sensação e referência prática: pelos testes do 01Lab (01net), dá para encarar o Neo como algo próximo de um MacBook Air M1 em desempenho - ainda hoje uma base muito sólida para a maioria das tarefas comuns.

A primeira surpresa, ao ligar: silêncio total. Como não há ventoinha, o Neo não faz ruído nenhum. Usuários de MacBook Air já conhecem isso, mas no mundo dos portáteis Windows nessa faixa de preço é raro - e muitas máquinas “sopram” alto ao menor esforço. Aqui, o silêncio vira uma vantagem real.

A segunda surpresa: quase não aquece, mesmo usando na cama ou no colo. O A18 Pro foi desenhado para dissipar calor no espaço minúsculo de um iPhone; dentro do corpo bem mais espaçoso do Neo, ele trabalha com folga.

E os 8 GB de RAM? Esse ponto gerou discussão, e eu também comecei o teste desconfiado. No uso real, porém, quase nunca me senti limitado. Em macOS com Apple Silicon, a gestão de memória é muito eficiente.

Essa optimização aparece também na autonomia. O MacBook Neo aguenta com facilidade 8 a 10 horas de trabalho sem pedir tomada. E ainda bem, porque há um contraponto: ele carrega devagar (já chego nisso).

O que fiz, na prática, com o MacBook Neo

Teoria é bonita; o que vale é o dia a dia. Em vez de promessas genéricas, aqui vai uma lista (não exaustiva) do que eu executei no Neo durante os 10 dias:

  • Escrevi os meus artigos. Eu escrevo muito e costumo abrir uma quantidade absurda de separadores ao mesmo tempo. O Neo não engasgou: nada de lentidão, atrasos ao abrir apps ou “travadinhas”. A fluidez diária foi um dos pontos mais impressionantes - e é isso que mais pesa numa rotina normal.
  • Editei fotos. Não foi fluxo massivo de fotógrafo profissional, mas edição comum, incluindo RAW, em Lightroom, Photoshop e Pixelmator. As fotos deste teste, inclusive, foram tratadas no Neo.
  • Usei ferramentas de IA do dia a dia. ChatGPT, Claude, Perplexity, NoteBookLM e Gemini entram na minha rotina diariamente, muitas vezes ao mesmo tempo, junto com cerca de uma dúzia de apps de produtividade. Não tive problemas.
  • Editei vídeo vertical em 4K a 60 fps, para forçar o limite. Não consegui “matar” a máquina. Claro: não há a fluidez cirúrgica de um MacBook Pro M4 (dá para perceber o sistema a trabalhar, e as pré-visualizações demoram cerca de um segundo para estabilizar na resolução máxima), mas roda e exporta em tempos razoáveis. Profissionais de vídeo e criadores que vivem disso não vão escolher este modelo; para quem edita vídeos verticais para redes sociais de vez em quando, ele dá conta. O youtuber Peter McKinnon publicou um vídeo vertical editado com o MacBook Neo - e o processo mostra bem como o Neo segura o tranco.
  • Rodei alguns jogos AAA disponíveis na Mac App Store. O Neo saiu-se bem, com gráficos fluidos em configurações médias a altas. E vale o contexto: quem está no público deste aparelho geralmente joga em consola, não em PC; compará-lo com um “PC gamer” de € 699 não é a métrica mais útil.
  • Assisti a filmes e séries. A tela é mais do que satisfatória e os altifalantes são realmente acima da média pelo preço.
  • Aproveitei o ecossistema Apple. Continuidade entre macOS, iPhone, iPad e Apple Watch conta muito para quem já está no ecossistema: copiar no iPhone e colar no MacBook, responder SMS pelo computador, desbloquear com o relógio - são detalhes que trazem a simplicidade que muita gente procura.

Ele é invencível? Não. Quando eu deliberadamente tentei saturar o Neo - edição pesada com efeitos, multitarefa no limite e exportação ao mesmo tempo - apareceram algumas quedas de fôlego. Só que é preciso insistir bastante para chegar lá; eu só forcei esse cenário para conseguir relatar os limites com honestidade.

Se esse tipo de carga extrema descreve a sua rotina, o Neo não é para você: faz mais sentido ir de MacBook Air ou até MacBook Pro. Agora, para a maioria das pessoas, o MacBook Neo chega muito perto do “quase perfeito”.

Um parágrafo importante para o Brasil: teclado, assistência e preço real

Para o público brasileiro, há um detalhe prático que costuma pesar: layout de teclado e pós-venda. Dependendo de como a Apple comercializar o Neo por aqui, pode existir variação de padrão (ABNT2 vs. internacional) e disponibilidade de peças. Além disso, mesmo que o preço base seja € 699 lá fora, impostos e margem de importação podem distorcer completamente o valor no Brasil - o que não muda as qualidades do produto, mas muda a conta final e a comparação com concorrentes locais.

Outra dica prática: armazenamento e vida útil

A Apple vende a versão de entrada com 256 GB, o que pode funcionar, mas rapidamente fica apertado para quem guarda bibliotecas de fotos, vídeos e backups locais. Para o público geral, considerar iCloud e organização de ficheiros desde o início ajuda a manter a máquina “leve” por mais tempo - e, se possível, escolher a opção com mais armazenamento melhora muito a longevidade.

Pequenos defeitos (existem, sim)

“Quase” porque o MacBook Neo tem alguns pontos fracos. Nada que destrua o produto, mas eles estão lá:

  • O teclado não tem retroiluminação. Dá para conviver, e o preço explica parte da decisão, mas é uma economia irritante.
  • O modelo base (8 GB / 256 GB, sem Touch ID) é o que a Apple destaca a € 699, mas não é o que eu indicaria. Com € 100 a mais (total de € 799, ou € 699 para estudantes), você ganha 512 GB e Touch ID. Pelo preço atual de memória/armazenamento, vale investir um pouco mais por conforto, durabilidade e praticidade diária - e o Touch ID faz diferença real.
  • Carregamento muito lento. A Apple recomenda carregador de 20 W, embora o Neo aceite até 30 W. Mesmo com 30 W, uma carga completa leva cerca de 2 h 30 min. Se você carrega toda noite, não vira drama; se esqueceu e precisa “salvar” alguns porcentos antes de uma reunião ou aula, vai passar raiva.

Concorrência? Na prática, não muita

Meu entusiasmo com o Neo virou motivo de gozação entre colegas da “turma do PC”. O argumento é conhecido: por esse preço, dá para encontrar portáteis com Windows com chip, RAM e armazenamento mais “generosos”.

E, olhando catálogos de fabricantes e varejistas, o ponto é verdadeiro: há modelos com componentes mais recentes no papel, e alguns chegam a 16 GB de RAM, o dobro do Neo.

Ainda assim, eu não acho que esses notebooks sejam mais interessantes no conjunto. Primeiro porque, como já ficou claro, o hardware do Neo + a optimização do macOS entregam potência suficiente para o público geral. Segundo porque ele é, de longe, o portátil de 13" mais resistente em bateria na categoria: muitos Windows nessa faixa mal chegam a 5 horas, basicamente metade do Neo.

Além disso, os rivais diretos raramente oferecem o mesmo nível de acabamento. É comum ver chassis de plástico, ventoinhas barulhentas, carregadores com tijolo de energia que pesa e ocupa espaço na mochila, e uma experiência inferior de teclado e trackpad. E, para quem já tem iPhone ou iPad, o ecossistema da Apple continua a ser um diferencial difícil de copiar.

Por fim, tem o fator tempo: a Apple costuma gerir atualizações e suporte de forma a manter os produtos relevantes por mais anos. Um portátil Windows de € 700 muitas vezes começa a “cansar” perto de 3 anos (ou antes). Já um MacBook Neo tem tudo para acompanhar um estudante por cinco anos sem drama.

Para quem o MacBook Neo foi feito?

A pergunta de € 700. E a resposta exige nuance.

Na forma mais direta: o MacBook Neo é para quem quer um notebook confiável, durável e agradável de usar todos os dias, sem gastar uma fortuna - e sem engolir os compromissos típicos de entrada de linha. Em especial:

  • Estudantes, que precisam de bateria para aguentar o dia, navegação, texto, ferramentas colaborativas e videochamadas sem stress. Também dá para editar algumas fotos e montar vídeos verticais em 4K, além de ver filmes e séries com conforto e jogar ocasionalmente (muitos já têm consola).
  • Famílias que querem um computador partilhado em casa.
  • Alunos do ensino fundamental e médio a comprar o primeiro notebook.
  • Freelancers e profissionais liberais sem demanda pesada de processamento (médicos, advogados, fisioterapeutas, artesãos, etc.). Para administrativo, finanças e comunicação pontual (site, materiais no Canva, e afins), ele encaixa muito bem.

Se os limites que citei - retroiluminação ausente, carregamento lento, USB‑C não tão rápida - são impeditivos para o seu uso, você provavelmente está melhor servido por um MacBook Air, mais completo, mas também quase duas vezes mais caro.

E se o computador é ferramenta principal de trabalho (edição de vídeo constante, desenvolvimento pesado, edição fotográfica em massa, render 3D, arquitectura, etc.), o caminho natural continua a ser o MacBook Pro.

Um detalhe relevante: enquanto ainda existirem MacBook Air M2 ou M3 em estoque, muitas vezes em promoção por valores próximos ao do Neo, eles viram uma alternativa mais completa. Se você encontrar um pelo mesmo preço, pode ser a melhor compra do momento. Quando esses estoques acabarem (e devem acabar rápido), o MacBook Neo tende a ficar sem concorrente direto na própria faixa de preço.

Veredito: o MacBook Neo pode entrar para a história da Apple

Por um instante, dá para deixar os defeitos de lado - porque o que o MacBook Neo representa pesa mais do que as suas pequenas limitações.

A Apple construiu a marca em torno do “premium”: produtos desejáveis, caros, com margens altas e uma imagem lapidada desde a era Steve Jobs. Esse modelo fez da Apple uma das empresas mais valiosas do planeta - mas também manteve muita gente do lado de fora por preço.

O Neo quebra essa lógica. É a primeira vez que a Apple entrega esse nível de qualidade, desempenho e coerência num valor como € 699. E não parece jogada de marketing: é consequência direta do investimento de anos nas Apple Silicon.

Tim Cook, frequentemente criticado por suposta falta de ousadia criativa, aqui mostra outro tipo de genialidade: ao internalizar o design dos processadores, a Apple conseguiu algo que parecia improvável no setor - colocar desempenho “de cima” em um produto mais acessível, sem sacrificar margens, construção e experiência.

Na minha leitura, a chegada do Neo vai mexer com a percepção da Apple nos próximos anos. Para muitos (estudantes, famílias, quem compra o primeiro notebook), a marca sempre pareceu “luxo distante”. O Neo muda o jogo. E se essa estratégia se expandir para uma linha “Neo” em outros produtos (Apple Watch Neo? AirPods Neo? iPhone Neo?), a Apple pode atacar segmentos que antes não eram prioridade - com impacto pesado para a concorrência.

O timing também ajuda: a pressão por chips para IA está a encarecer eletrônicos no mundo inteiro, e vários concorrentes já falam em aumentos que podem chegar a 30% ainda este ano. Se esse cenário se confirmar, a Apple ganha uma avenida aberta para vender o Neo.


Ficha de avaliação - MacBook Neo

Preço: a partir de € 699
Nota geral: 9,2

Critério Nota
Design e acabamento 10,0/10
Tela 8,0/10
Desempenho e software 9,5/10
Autonomia e carregamento 9,0/10
Relação custo-benefício 9,5/10

Pontos positivos

  • Design premium, acabamento exemplar
  • Desempenho impressionante
  • Autonomia excelente
  • Força do ecossistema Apple
  • Relação custo-benefício muito difícil de bater

Pontos negativos

  • Carregamento muito lento
  • Versão de 256 GB é pouco recomendável
  • Teclado sem retroiluminação

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