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Estudo relaciona 5 tipos de sono a diferentes padrões de saúde e estilo de vida.

Seis pessoas relaxando em camas ao redor de um grande relógio sobre piso de madeira.

As cotovias matinais e as corujas noturnas não explicam tudo. Uma pesquisa recente sugere que existem cinco tipos distintos de dormidores e que o tipo ao qual cada pessoa pertence se relaciona com a sua saúde e o seu estilo de vida.

Esses “subgrupos ocultos” entre quem acorda cedo e quem dorme tarde aparecem ligados a padrões específicos de comportamento humano e a diferentes desfechos de saúde. Entre os que preferem a manhã, por exemplo, um grupo concentra menos problemas de saúde no geral, enquanto outro apresenta maiores índices de depressão. Já entre as corujas noturnas, a diversidade de rotinas e resultados é ainda mais ampla.

Na atual era digital e no cenário pós-pandemia, os horários de sono ficaram mais variados do que nunca, afirma Le Zhou, pós-graduando em neurociência da Universidade McGill, no Canadá. Para ele, compreender essa diversidade biológica pode, no futuro, orientar abordagens mais personalizadas para sono, jornadas de trabalho e apoio em saúde mental.

Cronotipos (cotovias matinais e corujas noturnas): o que são e por que importam

“Cotovias matinais” e “corujas noturnas” são os cronotipos mais conhecidos - perfis que descrevem em que momentos do dia uma pessoa tende a estar mais alerta ou mais sonolenta. Há anos, alguns cientistas defendem que não existem apenas dois cronotipos, e que a realidade é mais detalhada.

Pesquisadores já haviam organizado nossos relógios biológicos de 24 horas em diversos padrões de sono com associações a saúde, aspectos psicológicos e estilo de vida. Contudo, os cronotipos descritos neste estudo são específicos e foram identificados como novas categorias.

Como o estudo identificou cinco subtipos de sono

A equipe analisou dados de saúde e padrões de sono autorrelatados de 27.030 adultos do Biobanco do Reino Unido, com participantes na meia-idade e na idade mais avançada. A partir disso, foram revelados dois subtipos de cotovias matinais e três grupos de corujas noturnas.

Quando os pesquisadores aplicaram o mesmo modelo a uma segunda amostra, com mais de 10.000 adolescentes dos Estados Unidos, surgiram subtipos semelhantes - reforçando a consistência do padrão observado.

Os cinco subtipos (3 de corujas noturnas e 2 de cotovias matinais)

A seguir, os subtipos descritos pelos autores e as principais associações encontradas:

  1. Subtipo 1 (coruja noturna)
    Relaciona-se a comportamentos de estilo de vida mais arriscados, dificuldades na regulação emocional, tempos de reação mais rápidos e melhor desempenho cognitivo do que o observado nas cotovias matinais.

  2. Subtipo 2 (coruja noturna)
    Um padrão menos favorável, associado a depressão, tabagismo e maior risco cardiovascular. Pessoas desse subtipo tendem a apresentar menor nível de atividade física, redução da integridade da substância branca no cérebro e maior probabilidade de uso de antidepressivos.

  3. Subtipo 3 (padrão de matinalidade / cotovia matinal)
    Um perfil de “matinalidade” ligado a menos questões de saúde. Em geral, esse grupo não fuma, raramente consome álcool e se envolve em menos comportamentos de risco. Apresenta ansiedade mais elevada, mas costuma ter menos problemas de regulação emocional.

  4. Subtipo 4 (cotovia matinal)
    Outro cronotipo de “quem acorda cedo”, com maior presença de mulheres. Esse subtipo se associa a sintomas depressivos e a prescrições de antidepressivos.

  5. Subtipo 5 (coruja noturna)
    Um grupo final de corujas noturnas, com predominância masculina. Relaciona-se a maior consumo de álcool, cigarros e cannabis, além de riscos cardiovasculares mais altos e doenças da próstata.

O que isso pode significar para saúde, rotina e apoio psicológico

Para os autores, pode ficar cada vez mais claro que o nosso sistema interno de faseamento do sono se conecta a muito mais aspectos da vida diária do que se imaginava. Em outras palavras, não se trata apenas de “preferência de horário”: padrões de sono podem caminhar junto com diferentes perfis de comportamento, bem-estar emocional e riscos à saúde.

Na prática, essa linha de pesquisa ajuda a sustentar a ideia de que políticas e rotinas mais flexíveis - como horários de trabalho e estudo ajustados ao cronotipo quando possível - podem ser relevantes. Em contextos em que a flexibilidade é limitada, estratégias consistentes (horários regulares para dormir e acordar, exposição à luz natural pela manhã e redução de telas à noite) tendem a facilitar a estabilidade do sono, independentemente do subtipo.

Também vale um cuidado importante: associações estatísticas não substituem avaliação individual. Se houver sintomas persistentes de depressão, ansiedade, sonolência diurna intensa, insônia frequente ou uso crescente de álcool e tabaco para “regular” o sono, buscar orientação de profissionais de saúde (como medicina do sono, psicologia ou psiquiatria) pode ser decisivo para identificar causas e apoiar intervenções adequadas.

O estudo foi publicado na revista Comunicações da Natureza.

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