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Atleta ucraniano ganha medalha olímpica e agradece ao ChatGPT: "Treinei com IA nos últimos seis meses".

Atleta com medalha e bandeira da Ucrânia sorri olhando para celular em estádio após competição.

O atleta destacou o papel do chatbot no próprio desempenho.

No biatlo disputado neste domingo, o ucraniano Maksym Murashkovskyi ficou a um passo do título: terminou muito perto da vitória e foi superado por pouco pelo chinês Dang Hesong, que levou a medalha de ouro. Para além do resultado esportivo, ele fez questão de creditar parte da sua trajetória recente a um aliado improvável: ChatGPT.

O atleta, de 25 anos, descreveu a inteligência artificial como uma “tecnologia revolucionária” e detalhou aos jornalistas como vinha usando a ferramenta: “Nos últimos seis meses, eu treinei com o ChatGPT”.

Mais do que pedir dicas pontuais, Murashkovskyi afirmou que incorporou o chatbot da OpenAI de um jeito pouco convencional: “Não era só uma questão de tática. Isso representava metade do meu plano de treino, a minha motivação e assim por diante. Então, foi um elemento essencial da minha preparação. Eu usava como psicólogo, treinador e, às vezes, como médico”.

IA e ChatGPT no coaching: dá para personalizar o treino?

Segundo ele, o modelo de linguagem foi decisivo justamente por permitir uma preparação diferente daquela que teria em um formato tradicional: “um treinamento clássico, como eu sempre fiz, com humanos”. Empolgado, o ucraniano chegou a projetar uma substituição gradual de profissionais por sistemas de IA: “Não completamente antes de cinco a dez anos. Mas em parte, com certeza”.

Na prática, a promessa da personalização do coaching com IA passa por ajustar rotinas, metas e estímulos de acordo com o que o atleta relata dia a dia - além de considerar períodos de carga, recuperação e fatores psicológicos, quando esses elementos são colocados no diálogo. Ao mesmo tempo, esse tipo de uso depende da qualidade das informações fornecidas e de limites claros sobre o que a ferramenta pode (ou não) orientar.

Também vale considerar um ponto que costuma ficar em segundo plano: privacidade e segurança. Quando um atleta descreve dores, exames, hábitos de sono, alimentação e questões emocionais, ele pode estar compartilhando dados sensíveis. Por isso, o uso responsável envolve cautela com o que é registrado, preferência por orientações gerais e, quando necessário, validação com profissionais de saúde e treinadores qualificados.

Entusiasmo com a tecnologia, cautela com o uso em guerra

Murashkovskyi, porém, ampliou o debate e adotou um tom bem menos otimista ao falar do contexto geral dessa inovação. Ele mencionou a guerra em curso na Ucrânia e chamou atenção para efeitos negativos: “Infelizmente, a gente vê isso na área militar e em contextos nocivos”.

Ainda assim, ele concluiu com uma comparação direta: “Mas é como na química ou na biologia: alguns podem usar para o bem, outros para o mal. Eu uso para aprendizado, idiomas, alguns dos meus projetos, em química, em biologia e no esporte.”

O que dizem os treinadores humanos sobre IA no esporte?

Em uma reportagem recente sobre a expansão das IAs no mundo do esporte, o jornal Libération ouviu Thibault Richard, treinador especializado em ciclismo. Ele não demonstrou grande preocupação e argumentou que a IA ainda não substitui o olhar profissional: “A IA não tem a nossa expertise e não consegue separar o que é importante do que é menos importante. Quando encontro um cliente pela primeira vez, faço uma entrevista de uma hora e vou refinando o programa ao longo do tempo. Levo em conta noções de temperamento. Alguns atletas precisam de suavidade; outros precisam ser sacudidos.”

Para saber mais, confira a reportagem completa sobre o tema.

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