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IAA Mobility 2025 no Salão de Munique: a festa voltou - mas não para dentro do pavilhão

Carro esportivo elétrico azul metálico exibido em salão de automóveis com design futurista e aerodinâmico.

Está acontecendo mais uma edição do Salão de Munique, o IAA Mobility 2025. Pela lista de marcas confirmadas e pelo volume de anúncios prometidos ao longo da semana - e, de fato, surgiram muitas novidades relevantes - por alguns instantes deu para acreditar que os salões de automóveis “à moda antiga” tinham finalmente retornado. Só que não foi bem assim.

Eu ainda lembro da época em que cada salão era aguardado com ansiedade, antes da internet transformar praticamente tudo em divulgação antecipada, espalhada por todo lado semanas antes de os portões abrirem.

Naquele tempo, havia surpresas de verdade: alguns carros só eram revelados no primeiro dia do evento ou, no máximo, na véspera, no tradicional dia reservado à imprensa. E o melhor era que as estreias ficavam lá, expostas durante toda a programação, para o público ver de perto com calma.

O que mudou nos salões de automóveis

Já não é segredo que os salões perderam parte do brilho de outros tempos. Com a pandemia, a “magia” desses encontros quase desapareceu. Primeiro, porque várias marcas reduziram o investimento nesse tipo de apresentação. Depois, porque o público passou a não depender mais de um pavilhão para conhecer as principais novidades sobre quatro rodas.

Além disso, muita atenção migrou para eventos que reúnem multidões e geram imagens mais “vivas”, como o Goodwood Festival of Speed ou mesmo as 24 horas de Le Mans, por exemplo.

Ainda assim, a expectativa em torno do IAA Mobility 2025 me fez pensar que eu voltaria a acompanhar um dos salões mais importantes do calendário. Na prática, a experiência foi bem diferente.

Um ponto que pesa nessa transformação é como a informação hoje é consumida: anúncios são feitos em lives, teasers e conteúdos curtos. O resultado é que o “momento do palco” perde força, e o visitante acaba encontrando, muitas vezes, algo que já viu (e reviu) na tela do celular.

Também vale notar que o formato híbrido - cidade + pavilhões + conferências - muda a dinâmica de quem visita. Para o público, a sensação pode ser ótima na área central (mais acessível e chamativa), mas frustrante quando a expectativa é encontrar um salão clássico e repleto de estreias concentradas em um único lugar.

Em torno do Salão de Munique: eventos paralelos e estreias fora do Messe München

Em Munique, nos dias que antecederam o evento, diversas marcas promoveram encontros paralelos - afinal, muita imprensa mundial estaria na mesma região. O Grupo Volkswagen realizou seu evento habitual, reunindo novidades e modelos recentes do conglomerado. Por lá, apareceram até protótipos de lançamentos futuros, como o Volkswagen ID.Polo e o CUPRA Raval.

Também nos arredores de Munique, a Renault apresentou a sexta geração do Clio, com a presença de Laurens van den Acker (responsável pelo desenho), das equipes de produto e também de Fabrice Cambolive, o primeiro Chief Growth Officer (diretor-executivo de crescimento) do grupo francês - posição que ele acumula com a de diretor-executivo da marca Renault.

Uma diferença importante é que o IAA Mobility de Munique não se concentra apenas nos pavilhões do Messe München (algo comparável a um grande centro de exposições, mas em outra escala). Vários espaços montados pelas marcas para exibir novidades ao público foram instalados no centro histórico da cidade.

A CUPRA, por exemplo, levantou uma megaestrutura de design marcante e, por dentro, exibiu toda a linha recente da marca junto do novo protótipo Tindaya, em estreia mundial.

Um pouco adiante, o espaço da Mercedes-Benz era ainda maior e misturava passado e futuro. Ali, não só havia um 280 SE 3.5 Coupé do fim dos anos 60 - com motor V8 e uma grade dianteira que viraria ícone - como também o novo protótipo AMG GT XX, com mais de 1300 cavalos, recém-chegado de Nardò, onde bateu alguns recordes de velocidade. Mesmo assim, o grande chamariz era o novo GLC 100% elétrico.

Então… e o Salão de Munique em si?

Ao longo da Odeonsplatz, a maioria das marcas colocava suas principais atrações, acompanhadas por outros modelos da gama. Algumas estreias eram absolutas; outras, bastante conhecidas. Com tanta gente circulando - a ponto de mal dar para observar os carros com tranquilidade - eu me perguntei: se aqui estava assim, como estaria o Salão? Só havia um jeito de saber.

Como o Salão de Mobilidade não oferecia serviço de translado, os carros de aplicativo em Munique acabaram virando alternativa. Eu admito: fui com a expectativa lá em cima. Um salão “das antigas”… quanta saudade.

Com o credenciamento de imprensa já feito, foi só passar pelo controle de entrada e, poucos segundos depois, eu já estava com o crachá pendurado no pescoço. No primeiro pavilhão, o destaque era o espaço do Grupo Volkswagen.

Dentro do Messe München: expectativas altas, impacto menor

Logo na entrada, as marcas não estavam “na cara”; elas apareciam mais ao fundo. Antes de chegar à Volkswagen, precisei atravessar o estande da XPeng, onde estava o novo e ousado P7, que deve desembarcar em breve na Europa.

De relance, vi que o Volkswagen ID.Every1 - que será produzido em Palmela - era um dos destaques do grupo alemão. Mais ao centro, também estava o mais recente ID.Cross Concept, que eu já tinha visto exposto na cidade.

Outra novidade era a gigantesca picape elétrica da Scout, voltada ao mercado norte-americano e pensada para encarar marcas como a Rivian. Só que a pergunta veio na sequência: cadê o restante das estreias? Foi aí que a frustração começou.

IAA Summit, não um salão: quando o setor ocupa o lugar do espetáculo

Com exceção das principais marcas “da casa” (alemãs) e de várias fabricantes chinesas, o restante parecia praticamente ausente.

E mesmo entre as marcas que tinham mostrado novidades importantes no dia anterior - algumas ainda em formato de protótipo camuflado, como Volkswagen ID.Polo e CUPRA Raval -, parte dessas atrações já tinha sido retirada do espaço. No lugar, ficaram modelos que praticamente todo mundo já conhecia.

A BMW chamava atenção com o novo iX3, a Mercedes-Benz com o GLC elétrico, e a Audi com o Q3 Sportback e-hybrid. A Opel exibiu o protótipo Corsa GSE Vision Gran Turismo, que poderá ser pilotado no jogo de mesmo nome. E, no essencial, era isso o que se via no IAA Mobility de Munique.

Os cinco pavilhões e meio, no entanto, estavam muito mais tomados por empresas de tecnologia, startups e outras companhias prontas para demonstrar soluções. Havia palcos de conferências, áreas enormes de alimentação, espaços de trabalho com sofás confortáveis… e pouca sensação de “salão do automóvel” propriamente dito.

No fim das contas, o IAA Mobility não é um salão de automóveis, e sim um salão do setor automotivo. Muita tecnologia, muitas promessas para o futuro. Carros novos? Nem tanto - principalmente para o público em geral, já que várias das novidades simplesmente sumiram do piso.

A verdadeira celebração, ao que tudo indica, estava no centro de Munique. Já o “salão” dentro do Messe München, para mim, foi uma decepção: tinha pouco (ou nada) a ver com a festa que os grandes salões de automóveis já foram. Nem de longe.

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