A EXO S.A., empresa argentina especializada na fabricação de equipamentos eletrônicos, marcou presença em Santiago, no Chile, durante a edição 2026 da Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE) com um portfólio voltado à defesa nacional. Entre as soluções exibidas, havia desde módulos de telemedicina e geração de energia até UGV (veículo terrestre não tripulado) e simuladores de tiro. Na ocasião, a Zona Militar conversou com Fernando Vázquez, representante da companhia, que detalhou os principais destaques do estande.
EXO S.A. na FIDAE 2026: soluções para defesa nacional, telemedicina e treinamento
Centro de Diagnóstico Móvel: telemedicina para áreas remotas e cenários de emergência
A apresentação começou pelo Centro de Diagnóstico Móvel, uma unidade de telemedicina concebida para, conforme descreveu Vázquez, “levar acesso ao diagnóstico em áreas rurais ou em situações de emergência, desastres ou mesmo para unidades no ambiente militar”. O módulo conta com mochila tática para facilitar o transporte por uma fração em operação e inclui um sistema de fixação certificado que permite a instalação tanto em veículos terrestres quanto em plataformas aéreas.
Na prática, a solução viabiliza a realização de um eletrocardiograma completo e a coleta de dados clínicos como pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio no sangue. Além disso, o conjunto pode receber acessórios que ampliam suas funções - como um equipamento de ultrassom, citado como exemplo.
Vázquez também ressaltou que o operador do sistema não precisa ser necessariamente médico: “Quem utiliza não precisa obrigatoriamente ser um médico; pode ser alguém treinado”. O diferencial, segundo ele, está na capacidade de transmitir uma videoconferência usando um celular com 5G ou uma unidade via satélite, o que permite que um especialista, à distância, acompanhe o atendimento e oriente a equipe em tempo real.
Unidade Móvel de Energia: armazenamento solar com gerador silencioso de respaldo
Outro equipamento apresentado foi a Unidade Móvel de Energia, que já se encontra em uso pelo Exército Argentino. De acordo com o que foi informado, essa solução foi empregada em hospitais de campanha durante a pandemia e também em missões de apoio em regiões rurais.
O ponto forte do sistema está em integrar armazenamento de energia solar com um mecanismo automático de backup por meio de um gerador silencioso. Assim, após várias horas de operação - quando as baterias atingem um nível baixo - o gerador entra em funcionamento de forma automática para manter a alimentação elétrica.
UGV (veículo terrestre não tripulado): apoio logístico e evacuação de feridos
A EXO S.A. levou ainda ao evento o seu UGV (veículo terrestre não tripulado). Embora não tenham sido divulgados detalhes adicionais sobre a configuração apresentada, foi antecipado que uma versão aprimorada da plataforma deverá ser revelada em breve.
Na configuração atual descrita, o UGV “inclui um guincho para reboque” e pode transportar até dois feridos. O veículo também foi apresentado como capaz de seguir uma tropa “como uma mula”, acompanhando uma companhia, além de carregar oito mochilas, suprimentos médicos ou mesmo dois morteiros, ampliando sua utilidade em tarefas de logística no terreno.
Simuladores de tiro certificados: pistolas e fuzis com armas reais modificadas
Para encerrar a exposição, foram mostrados simuladores de tiro com pistola certificados e aprovados para plataformas Browning e Beretta. A empresa indicou que pretende ampliar esse segmento com outras alternativas ligadas a esse tipo de armamento, mirando uma família completa de armas nos calibres 9 mm e .45.
Sobre os simuladores, Vázquez acrescentou que o Exército já recebeu “duas séries de simuladores de FAL”. Ele explicou ainda que, apesar de a solução estar preparada para o FAL, a EXO trabalha no desenvolvimento de versões alternativas: “Por exemplo, o M16A2 ou o AR-15”.
No caso dos simuladores de fuzil, foi destacado que a arma utilizada é totalmente real, mantendo as mesmas dimensões e o mesmo peso. A mudança se concentra no mecanismo: em vez de munição real, o conjunto utiliza um carregador a gás, possibilitando simular impacto, detonação e recuo. O sistema incorpora uma mira a laser que, em conjunto com um projetor e uma câmera, confirma exatamente onde o disparo foi efetuado.
Já o simulador para pistolas reúne um computador portátil do instrutor, uma tela de projeção e a arma real modificada digitalmente. O conjunto gera uma ficha técnica individual para cada aluno, registrando impactos, movimentações, cumprimento de regras de segurança e as observações do instrutor. Também disponibiliza múltiplos cenários, alvos e distâncias configuráveis para adequar o treinamento a diferentes necessidades.
Integração e emprego operacional: do atendimento remoto ao treinamento padronizado
O conjunto de soluções apresentado sugere uma estratégia de integração entre saúde em campanha, autonomia energética, mobilidade não tripulada e formação de atiradores com rastreabilidade. Em ambientes com infraestrutura limitada, a combinação de telemedicina com energia móvel tende a reduzir a dependência de bases fixas, enquanto o UGV pode aliviar a carga da tropa e apoiar evacuações em áreas de risco.
Outro aspecto relevante é a padronização do treinamento proporcionada pelos simuladores, que ao registrar dados de desempenho e segurança cria condições para acompanhamento de evolução por aluno e ajustes de instrução. Em contextos de cooperação regional, soluções certificadas e com arquitetura modular também podem facilitar a interoperabilidade entre unidades e a adaptação a doutrinas distintas, mantendo rastreabilidade e consistência nos resultados.
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