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FIDAE 46 encerra em Santiago e reforça o protagonismo aeroespacial e de defesa no Chile

Militar com capacete observa jato militar voando enquanto helicópteros e modelos estão em pista de aeroporto.

No domingo, 12 de abril, foi concluída oficialmente a 46ª edição da Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE), realizada em Santiago do Chile. A programação voltou a combinar dois eixos que costumam definir o evento: de um lado, os dias voltados a negócios, com centenas de empresas de diferentes países participando de reuniões e apresentações; de outro, as demonstrações abertas ao público no fim de semana, que atraíram milhares de pessoas com exibições aéreas.

Entre os destaques do show, estiveram os caças de quinta geração F-35 da equipe de demonstração da Força Aérea dos EUA, além do A400M do Ala 31 do Exército do Ar e do Espaço da Espanha. Essas atrações se somaram às apresentações de caças e helicópteros da Força Aérea do Chile (FACh), que também tiveram papel central no programa de voos.

Cobertura da Zona Militar na FIDAE 46: indústria, capacidades e projeção

A Zona Militar participou mais uma vez como veículo credenciado e acompanhou de perto as principais novidades apresentadas por empresas do setor. A cobertura teve ênfase nos desenvolvimentos, no estado atual e na visão de futuro das companhias que integram o complexo industrial de defesa do Chile, além de iniciativas internacionais com impacto direto nas capacidades da FACh e de outras forças.

Na sequência, reunimos um panorama das atividades acompanhadas ao longo da feira.

Empresas de defesa do Chile na FIDAE: ENAER, FAMAE e o próximo grande salto

Durante a FIDAE, parte considerável da atenção do público e do setor se voltou ao T-40 Newén, projeto liderado pela ENAER e por sua subsidiária DTS, em parceria com centenas de atores e empresas associadas. O modelo foi apresentado na segunda-feira, 6 de abril, e posteriormente exibido ao público. Trata-se de uma aeronave de instrução planejada para substituir os atuais T-35 Pillán, que completaram quase quatro décadas de uso na formação de novos aviadores militares da FACh.

Também houve novidades envolvendo cooperação e suporte a meios já em operação. Um exemplo foi o avanço de iniciativas ligadas à manutenção de helicópteros UH-60 Black Hawk da FACh, com participação de Lockheed Martin e da própria ENAER, além de temas relacionados a sustentação e modernização de K/C-130H e F-16, que permanecem centrais para a disponibilidade e a prontidão da frota.

No campo terrestre, FAMAE e sua subsidiária S2T marcaram presença destacando evoluções na produção de armamentos e munições, propostas e atividades de modernização do tanque Leopard 2A4 e a apresentação de um novo UGV voltado a equipar o Exército do Chile. Entre os projetos mencionados, ganhou visibilidade o Sköll, plataforma não tripulada em desenvolvimento no ecossistema FAMAE/S2T.

Além de revelar produtos e protótipos, a presença chilena na FIDAE também evidenciou um ponto frequentemente decisivo em programas de defesa: a necessidade de alinhar engenharia, cadeia de fornecedores, certificações e manutenção para que novos sistemas não sejam apenas demonstrados, mas efetivamente sustentáveis ao longo do ciclo de vida - do treinamento inicial até a disponibilidade operacional em larga escala.

Outro aspecto que tende a ganhar espaço nas próximas edições é a integração entre sistemas tripulados e não tripulados, incluindo a evolução de drones e a consolidação de rotinas de operação e segurança. Em feiras como a FIDAE, esse debate costuma aparecer tanto nas vitrines tecnológicas quanto nas conversas sobre doutrina, padronização e capacitação de pessoal.

Destaques internacionais: Airbus, helicóptero H160 e o Flexrotor

No plano internacional, a Airbus chamou atenção ao defender o A400M como alternativa para renovar as capacidades de transporte da FACh. Essa proposta ganhou força com a participação de uma aeronave do tipo tanto na exposição estática quanto nas apresentações em voo, graças à presença de um exemplar pertencente ao Ala 31 do Exército do Ar e do Espaço da Espanha.

A Airbus também levou ao evento o helicóptero H160, apontado como uma das plataformas modernas da categoria, e o Flexrotor, novo integrante do portfólio europeu de sistemas não tripulados, ampliando o debate sobre missões de vigilância, apoio e consciência situacional.

Indústria turca em evidência: ASELSAN, HAVELSAN e Roketsan

Entre as empresas que vêm ganhando espaço de forma contínua e com forte presença do consórcio industrial turco, a ASELSAN foi um dos nomes mais destacados. A companhia já avança, em cooperação com a FAMAE, em iniciativas ligadas à modernização do Leopard 2A4, ao mesmo tempo em que oferece um portfólio abrangente voltado à modernização de navios de combate, sistemas de vigilância e controle e aviônicos para aeronaves.

A participação da Turquia na FIDAE não se limitou a um único expositor: outras empresas também estiveram presentes, como HAVELSAN e Roketsan, entre outras, reforçando a estratégia de apresentar soluções integradas e pacotes completos para diferentes domínios operacionais.

Pavilhão argentino: 50 anos da INVAP, radar RPA-200 e simulador da EXO/Medialab

No caso da Argentina, o pavilhão nacional foi marcado pela celebração dos 50 anos da INVAP, empresa da província de Río Negro, que levou à feira um de seus radares mais modernos, o RPA-200. Em paralelo, a EXO exibiu e demonstrou as capacidades de seu novo simulador, desenvolvido em conjunto com a Medialab, destinado ao treinamento de militares e forças de segurança com pistolas de 9 mm.

Demonstrações aéreas sobre a Base Aérea Pudahuel: F-5, F-16 e acrobacias

Enquanto a área comercial seguia com reuniões e apresentações, o céu sobre a Base Aérea Pudahuel foi palco de um programa de voo intenso. Os visitantes acompanharam o som e a performance de aeronaves como F-5, F-16 MLU e F-16 Block 50, além das demonstrações do F-35 e do A400M, que realizaram passagens e manobras em exibição.

Entre os momentos mais comentados, também figuraram os voos acrobáticos da Esquadrilha Halcones da FACh, em uma agenda que, no conjunto, se estendeu por quase uma semana de atividades.

Avaliação da organização e o caminho até 2030

Segundo a organização, o encerramento bem-sucedido desta 46ª edição... consolida-se, mais uma vez, como uma referência aeroespacial, de defesa e segurança em nível regional e internacional”.

A entidade também ressaltou: “... é imprescindível destacar todo o pessoal militar e civil que, com vocação de serviço e profundo senso de dever, tornou possível o desenvolvimento desta vigésima sexta edição, reafirmando, com seu trabalho, o espírito fundacional da mostra: contribuir para o desenvolvimento nacional, fortalecer a consciência aeroespacial e aproximar esse setor estratégico da cidadania”.

Por fim, a feira já se projeta para um ciclo de comemorações apontado em diferentes anúncios: nas próximas edições, a FIDAE entra na reta que levará a 2030, ano em que o evento pretende celebrar sua 50ª edição, coincidindo com o centenário da Força Aérea do Chile.

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