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Reino Unido apoia os EUA na captura do petroleiro russo **Bella 1** no Atlântico Norte

Homem com colete refletivo e headset aponta para navio no mar enquanto monitora instrumentos eletrônicos no convés.

Mesmo com Londres e Washington atravessando um período de atrito diplomático em razão da questão da Groenlândia, o Ministério da Defesa do Reino Unido informou que as Forças Armadas britânicas deram suporte aos Estados Unidos na operação que resultou na apreensão do petroleiro russo Bella 1 no Atlântico Norte. A missão foi conduzida a pedido do Departamento de Justiça norte-americano e teve como força líder a Guarda Costeira dos EUA.

Segundo o governo britânico, a contribuição do Reino Unido ocorreu desde a fase de planejamento do operativo. Em seguida, o apoio também teria se materializado em ações de vigilância com meios aéreos não detalhados oficialmente e no envio do navio de apoio logístico RFA Tideforce para a área de interesse.

Declaração do Ministério da Defesa e foco em sanções e “frota fantasma”

O atual secretário de Defesa, John Healey, comentou o caso nos seguintes termos:

“Nossas Forças Armadas do Reino Unido demonstraram habilidade e profissionalismo ao apoiar a interceptação bem-sucedida, liderada pelos Estados Unidos, do navio Bella 1, que seguia em direção à Rússia. Essa ação integrou os esforços globais para combater o descumprimento de sanções. Esse navio, com um histórico nefasto, faz parte de um eixo russo-iraniano de evasão de sanções que alimenta o terrorismo, o conflito e a miséria do Oriente Médio até a Ucrânia. O Reino Unido continuará intensificando as medidas contra a atividade da frota fantasma para proteger nossa segurança nacional, nossa economia e a estabilidade global, tornando a Grã-Bretanha segura em casa e forte no exterior.”

Na mesma linha, o ministério declarou que o Bella 1 estava sancionado por Washington dentro de uma estratégia para restringir o comércio de petróleo iraniano, com a expectativa de reduzir os recursos disponíveis para financiar atividades terroristas no Oriente Médio. Londres afirma, ainda, possuir relatórios de anos anteriores nos quais o navio apareceria associado a uma frota fantasma com vínculos com o Hezbollah e com outros grupos envolvidos em crime internacional.

Tentativa de troca de bandeira e nome: “Bella 1” e “Marinera”

O Reino Unido também endossou a versão apresentada pelos EUA sobre uma tentativa do petroleiro de alterar bandeira e nome em alto-mar para confundir eventuais perseguidores.

De acordo com o que foi reportado, a embarcação teria operado inicialmente com bandeira da Guiana, que depois teria sido substituída por bandeira russa. No mesmo período, o nome Bella 1 teria sido trocado por Marinera. Ainda conforme essa narrativa, o navio também teria tentado desligar seus transponders para dificultar a localização e o rastreamento - uma medida que, apesar disso, não teria surtido efeito.

Um ponto relevante nesse tipo de situação é que, na prática, o desligamento deliberado de sistemas de identificação e o uso de mudanças sucessivas de registro podem aumentar o risco operacional no tráfego marítimo, além de acender alertas em portos, seguradoras e provedores de serviços logísticos que adotam políticas de conformidade mais rígidas para evitar exposição a violações de sanções.

Uma rede maior: a “frota fantasma” e o impacto na receita de petróleo

O caso do Bella 1 não seria isolado. As autoridades britânicas destacaram que existem outras embarcações russas sob sanções dos EUA e do Reino Unido, inseridas em uma frota fantasma consideravelmente mais ampla, que hoje chegaria a cerca de 520 navios.

Nesse contexto, Londres informou que teria conseguido reduzir em até 27% a entrada de recursos petrolíferos da Rússia provenientes do comércio marítimo, quando comparada aos níveis de outubro de 2024. Em uma declaração posterior, o Ministério da Defesa sustentou inclusive que esse seria o patamar mais baixo desde o início da guerra na Ucrânia.

Além do impacto econômico, operações desse tipo costumam ter desdobramentos legais e diplomáticos: ações coordenadas por órgãos como o Departamento de Justiça e executadas por agências marítimas podem envolver apreensão, custódia e procedimentos judiciais sobre carga e propriedade do navio, ao mesmo tempo em que pressionam redes de transporte e intermediação que viabilizam a evasão de sanções no comércio internacional de energia.

Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.

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