A corrida pela inteligência artificial está provocando uma escassez de chips de memória e pressionando os preços para cima. A Raspberry Pi, fabricante de microcomputadores de baixo custo, foi obrigada a reajustar alguns produtos por causa dessa situação.
A demanda por capacidade de processamento para IA não para de crescer, o que leva os gigantes da tecnologia a investir bilhões de dólares em novos centros de dados. Infelizmente, esse movimento já está gerando uma falta de chips de memória que atinge vários setores e pode encarecer produtos eletrônicos. Em um artigo anterior, já havíamos repercutido a declaração de um executivo da Xiaomi, que afirmou que a escassez de chips de memória provavelmente elevará os preços no próximo ano.
Escassez de chips de memória atinge a Raspberry Pi
Agora, essa falta de chips de memória já fez uma vítima concreta: os microcomputadores Raspberry Pi. A empresa, cuja missão é oferecer microcomputadores acessíveis, está sendo obrigada a aumentar o preço de alguns modelos.
Veja alguns exemplos: - Raspberry Pi 4 4 GB: de 55 dólares para 60 dólares - Raspberry Pi 5 4 GB: de 60 dólares para 70 dólares - Raspberry Pi 5 16 GB: de 120 dólares para 145 dólares
“Para compensar o aumento sem precedentes no custo da memória LPDDR4, estamos anunciando uma elevação nos preços de alguns produtos Raspberry Pi 4 e 5”, explicou Eben Upton, diretor executivo da empresa. “A pressão atual sobre os preços da memória, alimentada pela concorrência ligada à implantação de infraestruturas de IA, é dolorosa, mas, no fim das contas, temporária”, acrescentou. Ele também indicou que esses aumentos podem perder força quando o mercado se estabilizar.
Esse tipo de reajuste costuma afetar justamente os produtos com proposta mais popular, porque pequenas margens deixam pouco espaço para absorver choques de custo. Em outras palavras, quando componentes essenciais ficam mais caros, fabricantes que trabalham com preços enxutos acabam repassando parte da alta ao consumidor final.
Smartphones, PCs: o risco é elevado
Outras empresas já estão se preparando para essa escassez formando estoques. A Lenovo, principal fabricante de PCs, por exemplo, confirmou à Bloomberg que já está acumulando chips de memória e outros componentes críticos. Do lado da Dell, o diretor de operações Jeff Clark afirmou recentemente que a empresa nunca viu os custos variarem em uma velocidade tão alta.
No mercado de smartphones, o risco também é considerável. O escritório de análise IDC previu recentemente uma queda nos embarques em 2026, por causa da escassez, mas também porque a Apple pode lançar o iPhone 18, na versão básica, apenas em 2027.
Se a pressão continuar por mais tempo, a tendência é que a disputa por memória afete também notebooks, consoles e outros dispositivos conectados. Nessa hipótese, fabricantes menores e linhas de entrada devem sentir primeiro o impacto, já que têm menos poder de compra para negociar volumes e preços com os fornecedores.
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