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Guia de compra do Mercedes Classe C 220d usado (2014-2021)

Carro prata Mercedes-Benz estacionado em ambiente moderno com luzes acesas ao entardecer.

Confortável, seguro e com presença. O Mercedes-Benz Classe C 220 d (W 205) continua a ser daqueles usados que mantêm procura constante.

Quando o Mercedes-Benz Classe C (W 205) chegou ao mercado em 2014, a Mercedes deixou claro o objetivo: aproximar este modelo do Classe S, sobretudo no estilo. A estratégia foi assumida, para ligar a imagem do topo de gama a um dos automóveis mais vendidos da marca.

Mas a mudança não ficou pela aparência. Esta geração estreou uma nova base técnica com tração traseira, construída em alumínio e aço, pensada para suportar modelos de maior dimensão, e isso nota-se em andamento. O Classe C passou a parecer mais sólido, mais confortável e mais “carro grande” num dos segmentos mais competitivos do mercado.

Dentro da família W 205, o C 220 d Station (a carrinha) destacou-se como uma das versões mais procuradas: equilibrada, eficiente e sem exageros. Em Portugal foi uma escolha natural durante anos. Hoje, no mercado de usados, continua a fazer sentido pelas mesmas razões.

Na página do Piscapisca.pt encontramos mais de 400 unidades à venda, com preços a partir dos 17 000 euros e a chegar aos 37 000 euros, consoante ano, motor e equipamento. Neste guia de compra, explicamos tudo o que precisa de saber antes de comprar um Mercedes-Benz Classe C 220 d usado.

Bem-vindo a mais um usado da semana Razão Automóvel com o apoio do Piscapisca.pt.


Um Classe S mais pequeno por fora

Como já referimos, o desenho do Classe C W 205 foi pensado com propósito. A grelha, a assinatura luminosa, as proporções e até a forma como o carro “assenta” na estrada procuram aproximá-lo do Classe S.

Face ao antecessor, cresceu em todas as dimensões. Isso percebe-se sobretudo de perfil, onde o carro transmite mais solidez e maturidade.

No mercado de usados, as versões AMG Line são as mais cobiçadas pelo visual mais desportivo, mas nem tudo joga a favor. As jantes maiores e a suspensão mais firme não significam, necessariamente, um carro melhor para o dia a dia.

As versões intermédias continuam a passar estatuto sem penalizar o conforto. Duas qualidades muito apreciadas neste segmento.

Grande evolução de estilo interior

Quando chegou ao mercado, o interior do Classe C W 205 colocou enorme pressão sobre os rivais de sempre, BMW Série 3, Audi A4 e Volvo V60. Não tanto por espaço ou qualidade percebida, mas pela apresentação e pelo desenho escolhidos.

Os materiais são bons de forma consistente, mesmo nas zonas menos visíveis, e nota-se um esforço claro da Mercedes para fazer o carro parecer mais caro do que é. As saídas de ventilação metálicas, os comandos, os botões e a iluminação LED ajudam a criar um ambiente que envelhece melhor do que muitos adversários diretos.

As versões anteriores ao facelift têm um sistema de infoentretenimento bastante datado. A resolução do ecrã, a falta de Apple CarPlay e Android Auto denunciam a idade do W 205 face aos Mercedes atuais. Ainda assim, já existem soluções no mercado para atualizar o sistema.

Quanto ao desgaste do interior, nas unidades com couro nappa é normal que, a partir dos 200 mil quilómetros, já haja sinais de uso, sobretudo no banco do condutor. O restante habitáculo, com exceção das consolas centrais em piano black, aguenta bem o passar do tempo.

De acordo com os dados da consultora MotorCV, parceira do Piscapisca.pt, houve várias campanhas de recolha da marca para o W 205, algumas relacionadas com a qualidade do interior.

O padrão de qualidade da marca alemã é muito elevado, por isso a Mercedes optou sempre por chamar as unidades aos concessionários em caso de dúvida. Por vezes, para problemas reportados apenas em algumas dezenas entre muitas milhares de unidades produzidas.

O relatório completo da consultora MotorCV para o mercado português está disponível na ligação abaixo:

O espaço traseiro não é referência no segmento, sobretudo para adultos mais altos, mas é suficiente. A bagageira, com cerca de 480 litros, cumpre sem limitações relevantes.

A posição de condução é confortável, os bancos têm bom desenho e a ergonomia está, no geral, bem resolvida. Além disso, há uma oferta muito vasta no mercado de usados, com diferentes configurações.

Em estrada reina o conforto

O Mercedes-Benz C 220 d não foi pensado para ser o mais entusiasmante do segmento, mas nesta geração W 205 aproximou-se perigosamente da referência: o BMW 320d. Perante a escolha, a prioridade dos engenheiros da Mercedes foi conforto, estabilidade e facilidade de utilização.

As versões anteriores ao facelift usam o conhecido motor OM 651, um Diesel de quatro cilindros em linha com 2,1 litros e 170 cv; já os modelos a partir de 2018 passaram a contar com o mais moderno OM 654, de 2,0 litros e 194 cv. Ambos oferecem binário generoso, prestações mais do que suficientes e uma entrega de potência muito bem ajustada ao carácter do carro.

Os consumos são realmente baixos. É um dos motores mais eficientes e competentes desta geração. Além disso, houve um trabalho profundo dos técnicos da Mercedes-Benz para tornar este Diesel mais silencioso, ficando mais audível apenas a frio.

Em autoestrada, o Classe C está no seu habitat natural. É silencioso, estável e confortável, sobretudo nas versões com caixa automática. Se puder, escolha uma versão automática e dificilmente se vai arrepender.

Preço reflete elevada procura

Em Portugal, o Classe C 220 d mantém uma procura forte no mercado de usados, e isso vê-se nos preços. As unidades mais antigas, de 2014 ou 2015, começam na faixa dos 17 mil a 18 mil euros, normalmente com quilometragem elevada e equipamento mais simples.

Os exemplares mais interessantes, com histórico completo, caixa automática e bom nível de equipamento, situam-se entre os 20 mil e os 25 mil euros. As versões pós-facelift, já com o motor OM 654 e menos quilómetros, podem facilmente ultrapassar os 30 mil euros. Não é barato, mas também não é um carro que desvalorize depressa.

Neste gráfico fornecido pela MotorCV, com dados relativos ao mercado português, pode perceber a evolução dos preços deste modelo à data deste artigo:

Consumos baixos e manutenção previsível

Os consumos reais são um dos grandes trunfos do C 220 d. É perfeitamente possível fazer médias entre 4,5 l/100 km e 5,5 l/100 km em uso misto, com destaque para autoestrada e trajetos longos.

A manutenção segue o padrão de um modelo premium moderno: não é barata, mas é previsível. Na plataforma do Piscapisca.pt destacam-se as versões com certificação, um reforço de confiança na compra de um usado.

É essencial verificar o histórico de revisões, sobretudo nas unidades com caixa automática, e confirmar se todas as campanhas técnicas foram realizadas. Em termos de IUC e seguro, os valores mantêm-se dentro do esperado para um Diesel deste segmento.

A nossa escolha

A opção mais sensata recai nas unidades produzidas a partir de 2018, com motor OM 654, caixa automática e um nível de equipamento equilibrado. São mais eficientes, mais refinadas e tecnologicamente mais atuais.

Para quem quer maximizar valor, um C 220 d de 2016 ou 2017, bem tratado e com histórico completo, continua a ser uma excelente compra - desde que o preço reflita a idade e a quilometragem.

Agora que já sabe tudo o que precisa sobre este modelo, é só procurar o melhor negócio:

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