A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) alcançou mais um passo relevante na montagem do futuro USS District of Columbia (SSBN-826), o primeiro submarino de mísseis balísticos com propulsão nuclear (SSBN) da nova classe Columbia. O marco mais recente ocorreu com a movimentação da seção de proa para as instalações da General Dynamics Electric Boat em Quonset Point, no estado de Rhode Island, sinalizando um avanço importante na integração estrutural do casco. A montagem segue de forma paralela em diferentes estaleiros, conforme a estratégia industrial adotada pelo programa.
Classe Columbia: substituição gradual da classe Ohio
A classe Columbia foi projetada para substituir, de maneira progressiva, os atuais submarinos da classe Ohio, em operação desde a década de 1980 e responsáveis por transportar mais de 70% do arsenal nuclear dos Estados Unidos. As informações disponíveis indicam que cada unidade deverá ter deslocamento aproximado de 21.000 toneladas, vida útil estimada em mais de 40 anos e capacidade para 16 células de lançamento vertical de mísseis balísticos Trident II D5LE. Além disso, estão previstos novos sistemas de navegação, propulsão e redução de assinatura acústica.
Seção de proa: transporte e integração na Electric Boat
Conforme os dados divulgados, semanas antes a seção de proa - uma das partes estruturais mais complexas do submarino por concentrar a integração de sistemas de navegação, sonar e compartimentos dianteiros - foi enviada por barcaça do Newport News Shipbuilding para a General Dynamics Electric Boat, em Connecticut. O objetivo dessa etapa é unir o módulo a outras seções que já estavam em produção, permitindo a continuidade do processo de montagem final. O USS District of Columbia é tratado como a principal prioridade de modernização das capacidades estratégicas da força de dissuasão marítima dos EUA.
Ritmo de produção e superação de atrasos
Esse movimento ocorre após um progresso reportado semanas antes, quando a General Dynamics Electric Boat informou que a construção do USS District of Columbia havia ultrapassado 60% de execução. Na ocasião, a empresa destacou que o ritmo de fabricação havia se estabilizado depois de superar atrasos ligados ao fornecimento de componentes críticos - incluindo a entrega das turbinas da Northrop Grumman e do módulo de proa do Newport News Shipbuilding - além de limitações na disponibilidade de mão de obra especializada, fatores que afetaram o cronograma original do programa.
Cronograma do Pentágono e impacto na frota
No momento, além do USS Columbia, a construção do segundo submarino da série, o Wisconsin (SSBN-827), também já foi iniciada e segue avançando apesar das demoras. Segundo o plano do Pentágono, a primeira unidade deve ser entregue em 2031, de modo a evitar uma lacuna nas capacidades de dissuasão nuclear do país. Já as entregas do segundo e do terceiro submarino - o USS Groton (SSBN-828) - podem ocorrer entre 2032 e 2034. A Marinha dos EUA tem reiterado que qualquer atraso pode afetar a disponibilidade futura da frota, que deverá ser reduzida para 12 submarinos ao término da transição a partir da classe Ohio.
Próxima fase: montagem integral do casco e testes de integração
Com a recente transferência da seção de proa para a Electric Boat, o programa entra em uma etapa decisiva de montagem integral do casco, antes da instalação dos sistemas principais e dos testes de integração. Embora persistam desafios industriais, a Marinha e os contratados sustentam que o USS District of Columbia segue no caminho para cumprir os marcos previstos, dentro do que é considerado o programa de construção naval mais crítico e sensível dos Estados Unidos nos últimos 40 anos.
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