Estudo indica que a dependência excessiva de IA pode reduzir a confiança dos utilizadores nas próprias capacidades intelectuais
Um estudo recente concluiu que uma dependência muito forte de IA pode diminuir a confiança que os utilizadores têm nas suas capacidades intelectuais. Os investigadores observaram que pessoas que se apoiam em chatbots com mais frequência tendem a admitir que “a IA pensa por elas”, o que acaba por enfraquecer a confiança nas ideias que elas próprias geram.
Dependência de IA e confiança: o impacto do estilo de uso de chatbots de IA
Em contrapartida, os participantes que editavam, questionavam ou reelaboravam os resultados produzidos pela IA apresentaram níveis mais altos de confiança e uma sensação maior de autoria sobre o resultado final. A autora do estudo, Sara Baldeo, doutoranda em IA e neurociências na Universidade de Middlesex, destacou que os efeitos cognitivos variam de acordo com a forma como a ferramenta é utilizada.
“Quando estudamos a atividade cerebral em função de como as pessoas usam a ferramenta, vemos tanto aumento quanto diminuição da atividade”, explicou Baldeo. Segundo ela, o fator determinante não é a ferramenta em si, mas a abordagem adotada no seu uso.
Resultados alinhados com pesquisa do MIT e da Carnegie Mellon University (CMU)
Essas conclusões vão ao encontro de outro estudo conduzido por cientistas do MIT e da Carnegie Mellon University (CMU). Nessa pesquisa, os autores defendem que a IA pode reduzir rapidamente as capacidades intelectuais dos utilizadores, sobretudo em tarefas que exigem pensamento intensivo.
No experimento, participantes do grupo experimental receberam acesso à IA para resolver equações matemáticas. Em seguida, esse acesso foi interrompido, e eles tiveram de continuar o trabalho por conta própria. Os resultados apontaram uma queda acentuada na capacidade de raciocínio e uma menor disposição para concluir as atividades entre aqueles que, no início, dependiam da IA.
Os dois estudos reforçam a importância de como a IA é usada: delegar tarefas por completo a um agente pode prejudicar as capacidades cognitivas, enquanto empregar a IA como apoio (e não como substituição) contribui para preservá-las.
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