A primeira semana de abril começou, como já se esperava desde o fim da semana passada, com nova alta no preço do diesel simples e da gasolina simples.
Nesta segunda-feira, 6 de abril, até o momento de publicação, o diesel simples ficou € 0,05 mais caro por litro. Com isso, o preço médio passou a € 2,127/l, superando novamente a marca de € 2,10/l registrada em junho de 2022.
No caso da gasolina simples, o reajuste foi de € 0,02 por litro, fazendo o preço médio chegar a € 1,937/l.
Somando as variações desde o início do conflito no Irã até a última sexta-feira, o diesel simples já acumulou alta de € 0,442/l, enquanto a gasolina simples subiu € 0,212/l (valores que já consideram os descontos em vigor).
Como ficaram os preços nas principais redes (diesel simples e gasolina simples)
Entre as maiores marcas, os aumentos também foram sentidos de forma clara:
- Galp e Repsol: alta de € 0,068/l no diesel simples e de € 0,025/l na gasolina simples.
- BP: aumento de € 0,065/l no diesel simples e de € 0,03/l na gasolina simples.
Mesmo com descontos, o preço dos combustíveis segue acima de € 2,00/l nas três principais redes, tanto para o diesel simples quanto para a gasolina simples.
Como são calculados os valores médios
A base usada para apurar o preço dos combustíveis continua sendo, como de costume, a informação publicada pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, com referência à sexta-feira, 3 de abril.
Os números divulgados pela DGEG já incluem:
- os descontos praticados pelas redes de postos; e
- as medidas do Governo atualmente em vigor.
Ainda assim, é importante lembrar que se trata de valores médios e indicativos, que podem não coincidir exatamente com os preços encontrados em cada posto de combustível.
O que está por trás da alta?
A escalada dos preços em Portugal e no restante da Europa está diretamente associada ao agravamento das tensões no Oriente Médio, que culminou no fechamento do Estreito de Ormuz - uma das rotas mais estratégicas para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico. Estima-se que cerca de 20% do comércio mundial de petróleo bruto passe por esse corredor.
O efeito foi imediato nos mercados internacionais. O Brent, referência para a Europa, estava em torno de US$ 72 antes do início do conflito e voltou a disparar nos últimos dias, chegando a US$ 109 na data de publicação.
O conflito teve início no começo do mês, após Israel e os Estados Unidos realizarem ataques contra o Irã, afirmando que buscavam neutralizar ameaças iminentes. Em resposta, Teerã lançou ataques com mísseis e drones contra bases norte-americanas e alvos israelenses na região, ampliando a instabilidade.
Além do preço do Brent, outro ponto que costuma pressionar o valor final na bomba é a volatilidade cambial: como o petróleo é negociado em dólar, oscilações entre euro e dólar podem acelerar (ou aliviar) repasses no curto prazo, mesmo antes de mudanças completas na cadeia de abastecimento.
Também vale considerar o impacto direto no dia a dia: com diesel simples mais caro, aumentam os custos de transporte e logística, o que pode se refletir em preços de produtos e serviços. Já para motoristas, comparar valores entre postos, planejar abastecimentos e evitar acelerações bruscas pode ajudar a reduzir consumo - especialmente quando a gasolina simples se aproxima de patamares historicamente elevados.
Medidas do Governo em vigor
Depois de projeções do setor apontarem aumentos considerados históricos, o Governo reforçou o desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos).
Nesta semana, o preço final já incorpora um novo abatimento do ISP de:
- € 0,0834/l no caso do diesel simples; e
- € 0,0458/l no caso da gasolina simples.
Esse corte extraordinário se soma ao mecanismo aplicado desde 2022, criado para reduzir o impacto das altas após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Na prática, trata-se de uma redução parcial do imposto sobre gasolina e diesel, com ajustes feitos ao longo do tempo conforme a evolução dos preços.
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