As baterias de sódio - também chamadas de baterias de sal - vêm ganhando força como a nova aposta para o setor automotivo. No fim da semana passada, durante o “Fórum de Desenvolvimento de Cadeias e Padrões da Indústria de Baterias de Iões de Sódio de 2025”, especialistas afirmaram que a tecnologia está cada vez mais próxima de alcançar a produção em série, segundo o Sina Finance.
Li Shujun, diretor-geral da Beijing Zhongke Haina Technology, declarou que a fabricação em larga escala deve começar já no próximo ano. Para ele, o setor está deixando para trás a “lógica de guerra de preços” e migrando para a criação de valor: com o aumento da escala e avanços na densidade energética, a expectativa é que o custo dessas baterias caia pela metade nos próximos dois a três anos.
Como funcionam as baterias de iões de sódio
Na prática, as baterias de iões de sódio operam de forma muito parecida com as de lítio: elas têm cátodo e ânodo, e os iões que circulam entre esses polos são, neste caso, de sódio (em vez de lítio).
Vantagens e desvantagens das baterias de sódio
Apesar da semelhança de arquitetura com as baterias de lítio, as baterias de sódio se destacam por benefícios importantes:
- Abundância e custos: o sódio é o sexto elemento mais abundante do planeta, o que tende a tornar a cadeia de produção mais barata e, em tese, mais sustentável;
- Segurança e transporte: não depende de metais raros, facilita a reciclagem, permite ser totalmente descarregada e reduz riscos associados a incêndios;
- Desempenho em baixas temperaturas: consegue manter até 90% do rendimento a -20 °C.
Por outro lado, a adoção dessas baterias ainda esbarra em limitações quando comparadas às baterias de iões de lítio: a densidade energética é menor, o conjunto pode ficar mais pesado e a vida útil tende a ser menos competitiva. Por isso, diversos especialistas defendem que a estratégia não é “trocar lítio por sódio” de forma direta, mas sim usar uma tecnologia para complementar a outra.
Li Jinghong, acadêmico da Academia Chinesa de Ciências e professor da Universidade de Tsinghua, resume essa visão: “Devemos explorar os pontos fortes das baterias de sódio e ignorar as suas fraquezas”. Mesmo com densidade energética inferior à do lítio, a boa capacidade de descarga e o ótimo desempenho em ambientes frios tornam a solução especialmente interessante para usos mais exigentes, como veículos comerciais, máquinas agrícolas, equipamentos de construção e sistemas híbridos que combinam motor a combustão com bateria.
Um comunicado reforça essa posição: “As baterias de sódio complementam as baterias de lítio na energia e no armazenamento e podem substituir as baterias de chumbo-ácido em muitos setores”.
Baterias de sódio no setor automotivo: onde elas podem encaixar melhor
Na prática, faz sentido imaginar as baterias de sódio ganhando espaço primeiro em aplicações em que custo, robustez e segurança pesam mais do que autonomia máxima por carga. Isso pode incluir frotas que rodam trajetos previsíveis, veículos que operam em regiões frias, e cenários em que a padronização e a estabilidade de suprimento de materiais sejam decisivas para o planejamento industrial.
Também vale considerar que, ao dividir funções com as baterias de lítio (em vez de competir frontalmente), as baterias de sódio podem ajudar a diversificar a cadeia de fornecimento e reduzir a pressão sobre determinados insumos - algo que costuma ser relevante quando a indústria acelera a eletrificação.
O futuro?
A expectativa é que 2026 marque o começo da produção em massa e a chegada efetiva das baterias de sódio ao mercado, com a promessa de uma alternativa mais econômica, segura e versátil para veículos e sistemas elétricos.
O governo chinês já colocou essa rota tecnológica como prioridade, apoiando políticas voltadas ao desenvolvimento de produtos de alta qualidade. Um indicativo claro desse avanço veio da CATL, que anunciou recentemente a primeira bateria de sódio a cumprir o padrão nacional de segurança para veículos elétricos.
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