A Apple segue atrás no campo da inteligência artificial e ainda não colocou no ar a nova versão da Siri. Mesmo assim, a empresa já está faturando alto com o boom da IA: em 2025, o App Store teria rendido cerca de US$ 900 milhões apenas em comissões geradas por aplicativos de IA criados por terceiros.
App Store e inteligência artificial: como a Apple lucra sem liderar o setor
A lógica é parecida com o que acontece nos jogos para celular. A Apple não é referência como produtora de games, mas transforma o App Store em uma máquina de receita ao cobrar uma fatia do que os desenvolvedores ganham. Com a inteligência artificial, o roteiro se repete: mesmo sem estar na dianteira do desenvolvimento, a Apple já captura uma parte significativa do dinheiro que circula no ecossistema de IA dentro do iPhone e do iPad.
Isso chama atenção porque, até aqui, a Apple não conseguiu entregar a atualização mais ambiciosa da Siri apenas com tecnologias próprias e, por isso, precisa se apoiar em uma colaboração com o Google para viabilizar essa evolução. Além disso, a nova Siri segue sem data concreta de chegada ao público.
US$ 900 milhões em 2025: o peso das comissões do App Store nos apps de IA
O mecanismo que impulsiona essa receita é direto: quando um desenvolvedor - como os responsáveis por ChatGPT ou Gemini - vende uma assinatura usando o sistema de pagamento do iPhone ou do iPad, a Apple recebe uma comissão.
Segundo uma estimativa da AppMagic citada pelo Wall Street Journal, as comissões do App Store associadas a aplicativos de inteligência artificial generativa teriam alcançado US$ 900 milhões em 2025 e estariam a caminho de ultrapassar US$ 1 bilhão por ano. Dentro desse bolo, o app que mais geraria comissões para a Apple seria o ChatGPT, responsável por aproximadamente três quartos da receita. Em seguida apareceria o Grok, com cerca de 5%.
Um modelo econômico cada vez mais contestado (a “taxa Apple”)
Esses números reforçam o quanto o modelo do App Store é central para a estratégia da Apple de fortalecer a área de Serviços e ganhar dinheiro também em segmentos nos quais não domina a tecnologia ou o conteúdo. Em geral, a comissão do App Store - frequentemente chamada de “taxa Apple” - fica em 30% ou 15% do valor pago pelo usuário ao desenvolvedor de um aplicativo de terceiros.
Ao mesmo tempo, esse formato vem sendo questionado com intensidade crescente, sobretudo após o embate jurídico entre a Apple e a Epic, criadora do jogo Fortnite. A Epic decidiu contornar o sistema de pagamento da Apple no iPhone, o que levou ao banimento do Fortnite do App Store.
Epic, Fortnite e o Digital Markets Act: pressão para reduzir o controle do App Store
A disputa Apple–Epic virou símbolo do debate sobre o nível de controle que o App Store exerce na distribuição e monetização de aplicativos. Como consequência, reguladores vêm tentando reduzir esse poder em alguns mercados.
Na União Europeia, por exemplo, novas regras foram implementadas no contexto do Digital Markets Act, com o objetivo de enfraquecer o monopólio do App Store sobre a distribuição de apps em iPhone e iPad.
O que muda para usuários e desenvolvedores com a expansão da IA no iPhone
Com a popularização de assinaturas de IA - principalmente em modelos pagos mensais -, a forma de cobrança dentro do ecossistema Apple ganha ainda mais relevância. Para desenvolvedores, estar no App Store significa acesso a uma base enorme de clientes, porém com margens reduzidas por causa das comissões. Para usuários, o ponto central costuma ser a conveniência do pagamento integrado, que facilita a contratação e o cancelamento, mas também pode influenciar o preço final da assinatura.
Outro aspecto é que, à medida que apps como ChatGPT, Gemini e Grok se tornam parte do uso cotidiano, cresce a atenção sobre políticas de privacidade, regras de plataforma e transparência na cobrança. Mesmo sem liderar a corrida da inteligência artificial com a Siri, a Apple se mantém financeiramente bem posicionada - desde que o modelo de comissões do App Store continue de pé diante de disputas como a da Epic e de regulações como o Digital Markets Act.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário