Com a proximidade do Dia das Bruxas, milhares de pessoas vão às compras atrás de lentes de contato para fantasia para combinar com a caracterização.
Não é difícil entender o motivo do sucesso: a variedade quase infinita de cores e formatos permite transformar o visual de forma radical - e quem não se arrepiou com os olhos brancos e amarelados da menina de O Exorcista?
Ainda assim, é indispensável ter cautela. Quando usadas sem os cuidados adequados, essas lentes podem provocar danos importantes - e, em casos extremos, até cegueira.
Os problemas associados a esses acessórios vão de queixas leves, como ressecamento, coceira e irritação, até situações mais graves, incluindo infeções, cicatrizes e perda de visão.
Diante disso, vale perguntar: por que elas podem ser perigosas? E como reduzir ao máximo os riscos?
Materiais e segurança das lentes de contato para fantasia
Na época do Dia das Bruxas, lentes de contato para fantasia aparecem por toda parte. Essa disponibilidade facilita que qualquer pessoa as compre por impulso, sem pensar na procedência.
Para um ótico ou optometrista, poucas cenas são tão preocupantes quanto atender alguém que decidiu “finalizar” a fantasia com lentes de novidade.
Nesse cenário, a qualidade do material é decisiva. Pesquisas já identificaram corantes não autorizados e outras substâncias - como cloro ou ferro - em lentes cosméticas. Ao entrarem em contacto com os olhos, esses componentes podem causar irritação, ardor e até desencadear reações alérgicas.
Além disso, muitos dos pigmentos usados nessas lentes favorecem a adesão de microrganismos à superfície, o que eleva o risco de infeção.
Para diminuir esses perigos, quem optar por esse tipo de produto deve comprar apenas em estabelecimentos reconhecidos e seguir rigorosamente as orientações do seu ótico ou optometrista.
Também é importante lembrar que lentes de contato são dispositivos médicos regulados, sujeitos a critérios rigorosos de segurança e qualidade na fabricação, comercialização e uso. Essas regras são definidas por órgãos nacionais, como a AEMPS (Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários).
No Brasil, a recomendação prática é a mesma: trate essas lentes como um produto de saúde, não como um simples acessório. Desconfie de ofertas sem origem clara (especialmente em vendas informais e anúncios sem informação técnica) e procure canais de compra que assegurem rastreabilidade e instruções completas de uso.
Lesões, infeções e úlceras na córnea
Quando a lente não se ajusta corretamente ao olho do utilizador, ou quando o material não é adequado, podem surgir lesões. Essas pequenas agressões ao olho abrem caminho para a entrada de bactérias, vírus e fungos, capazes de causar infeções oculares graves e dolorosas, como a ceratite. Se a lesão for intensa, pode evoluir para úlcera de córnea e levar à perda de visão.
Há ainda um fator que aumenta a probabilidade de erro: grande parte de quem compra lentes cosméticas nunca usou lentes de contato antes - e muitas vezes não voltará a usar. Isso multiplica a chance de manuseio inadequado.
Um dos equívocos mais frequentes é lavar ou guardar as lentes em água, em vez de usar uma solução própria. A água pode conter microrganismos perigosos, como a Acanthamoeba, que pode provocar infeções severas ao entrar em contacto com os olhos.
Do mesmo modo, o estojo (porta-lentes) não deve ser higienizado com água. O correto é usar sempre a solução específica para lentes de contato, que oferece maior proteção. Além disso, as lentes não podem permanecer por longos períodos na solução de manutenção, porque isso pode favorecer a proliferação microbiana.
Um cuidado adicional, muitas vezes negligenciado, é evitar o “uso prolongado por conveniência”: mesmo que a lente pareça confortável, o olho pode estar a sofrer microlesões sem sintomas evidentes no início. Também vale redobrar a atenção se houver extensões de cílios, purpurina e maquiagem pesada, já que partículas podem migrar para a superfície da lente e irritar o olho.
Não substitua o profissional por inteligência artificial
Se surgir qualquer dúvida, o melhor caminho não é recorrer à inteligência artificial (IA). A IA pode sugerir recomendações com base em dados, mas não consegue adaptar orientações às particularidades de cada pessoa como faz um profissional da saúde ocular.
Isso acontece porque ela não realiza exame físico e também não consegue interpretar de forma confiável nuances e sintomas.
Além do mais, modelos de IA dependem do conteúdo com o qual foram treinados e das atualizações que recebem.
Por isso, devem ser encarados apenas como ferramenta complementar, e nunca como substitutos de uma consulta com um profissional de saúde ocular.
Como usar lentes de contato com segurança no Dia das Bruxas
- Não use lentes de contato para fantasia sem acompanhamento de um profissional de saúde ocular.
- Converse com o seu ótico ou optometrista para saber se esse tipo de lente é adequado para você e quais opções estão disponíveis para compra.
- Adquira lentes de alta qualidade em um estabelecimento reconhecido e confira se o produto é efetivamente seguro.
- Garanta higiene rigorosa das mãos antes de manusear as lentes. Use sempre solução própria para lentes de contato - nunca água nem saliva.
- Ao notar irritação, retire as lentes imediatamente. Se o desconforto persistir, procure sem demora um profissional de saúde ocular ou um médico.
- Nunca partilhe lentes. Essa prática aumenta muito o risco de infeção.
- Coloque as lentes antes de se maquiar.
- Reduza o tempo de uso ao mínimo necessário. O tempo recomendado deve vir indicado pelo fabricante.
- Retire sempre as lentes antes de dormir.
As lentes de contato podem ser o detalhe perfeito para um visual realmente assustador no Dia das Bruxas.
Mas, ao proteger os olhos da forma correta, a noite não termina com o tipo errado de susto.
Sofía Rendo González, Investigadora predoctoral Xunta de Galicia, Universidade de Santiago de Compostela; Justo Arines, Professor catedrático, área de especialização em Ótica e Optometria, Universidade de Santiago de Compostela; e Nery García Porta, Professora de optometria, Universidade de Santiago de Compostela
Este artigo foi republicado a partir do portal A Conversa, sob uma licença de atribuição e partilha (CC). Leia o texto original.
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