Desde o começo deste mês, a A25 (autoestrada das Beiras Litoral e Alta) passou a operar com limite de velocidade de 100 km/h em toda a extensão, substituindo o padrão anterior de 120 km/h.
Prefeitos de Aveiro cobram explicações do Governo sobre o limite de velocidade na A25
A mudança desagradou autoridades locais da área de Aveiro, que pedem esclarecimentos imediatos ao Governo. Para Jorge Almeida, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), a decisão não faz sentido: segundo ele, trata-se de uma medida contraditória, cuja justificativa não está clara.
CIRA diz ter sido “surpresa” e aponta impactos econômicos, sociais e turísticos
Em nota oficial, a CIRA classificou a redução do limite como uma “surpresa”, ressaltando que nem a entidade nem os municípios abrangidos foram avisados previamente. A Comunidade também alertou que a queda de velocidade pode trazer efeitos negativos econômicos, sociais e turísticos, incluindo a possibilidade de reduzir o tempo de permanência de visitantes na região.
Apoio parcial: redução só faria sentido em trechos específicos e em áreas urbanas
A Comunidade afirma que não é contra a redução de velocidade em si, mas defende que ela seja aplicada apenas em determinados trechos, especialmente em zonas urbanas. O argumento é que, nessas áreas, o controle de velocidade pode evitar a necessidade de instalar barreiras ou painéis acústicos.
Como exemplo, a própria CIRA menciona que o Município de Aveiro teria sugerido um limite de 100 km/h no segmento entre o nó de Esgueira e o nó das Pirâmides, acompanhado de sinalização e radar - porém, de acordo com o comunicado, nunca recebeu resposta.
Pedido de urgência a Ministério, IP, IMT e ASCENDI
Diante do cenário, a CIRA apelou para que todas as entidades envolvidas - Ministério, Infraestruturas de Portugal (IP), IMT e ASCENDI - apresentem explicações em caráter de urgência. Além disso, solicitou medidas imediatas para que seja restabelecido o limite normal de autoestrada.
Portagens na A25 em Aveiro continuam, apesar de diploma que previa eliminação
Outro ponto destacado pela Comunidade é que, na A25, justamente no trecho que atravessa a Região de Aveiro, ainda há cobrança de portagens. Isso ocorre mesmo após ter sido promulgado, no ano passado, um diploma que determinava o fim das portagens em várias ex-SCUT a partir de 1º de janeiro, incluindo a própria A25.
Entre segurança viária e previsibilidade, falta transparência na decisão
Em autoestradas, mudanças generalizadas de velocidade costumam ser associadas a fatores como histórico de sinistros, características do traçado, níveis de ruído em áreas próximas e condições de operação. Ainda assim, quando a alteração é ampla e afeta rotas de mobilidade regional, a ausência de comunicação prévia e de justificativa técnica pública tende a ampliar a insatisfação de moradores, empresas e do setor de turismo.
Também pesa a previsibilidade para quem utiliza a via no dia a dia: a combinação de novo limite de velocidade de 100 km/h com a manutenção de portagens reforça a cobrança por coerência nas políticas de mobilidade e por alinhamento entre as decisões regulatórias e as medidas de compensação prometidas para as ex-SCUT.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário