Segunda corrida robotizada em Pequim vai colocar à prova autonomia, resistência e a evolução da indústria de robôs humanoides
Em 19 de abril, Pequim recebe o segundo semimaratona com a participação de mais de 300 robôs humanoides, em um evento que deve funcionar como um grande teste para o setor de robótica da China, que cresce rapidamente. A prova terá 21 km e contará com mais de 70 equipas - um número quase 5 vezes maior do que o registrado no ano passado.
O trajeto foi desenhado para ser mais exigente do que o anterior: além de trechos urbanos, haverá subidas e uma passagem por zona de parque, aumentando a complexidade do desafio. Organizadores e especialistas esperam que a competição ajude a medir o avanço em confiabilidade de componentes e em tempo de funcionamento das baterias dos robôs atuais.
Uma das principais novidades desta edição é o salto no nível de autonomia: aproximadamente 40% dos participantes deverão conseguir deslocar-se sem controlo remoto, guiando-se apenas por sensores próprios e algoritmos de navegação. A mudança é vista como um passo relevante no amadurecimento de sistemas humanoides.
No ano passado, todos os robôs foram operados à distância, e alguns sequer conseguiram lidar com a prova, chegando a cair logo na largada. Na ocasião, a vitória ficou com o Tiangong Ultra, desenvolvido com apoio do centro estatal de robótica de Pequim e da empresa UBTech. Ele completou a distância em 2 horas e 40 minutos - um resultado bem inferior ao tempo do vencedor humano da corrida principal.
Em 2025, o Tiangong Ultra volta a competir, mas desta vez em modo totalmente autónomo. Segundo os desenvolvedores, o robô terá de orientar-se sozinho no ambiente, desviar de obstáculos e reproduzir uma caminhada semelhante à humana, apoiando-se em dados de treino e em sistemas sensoriais, sob condições de tempo de reação extremamente limitado.
A China segue como referência global na adoção de robôs humanoides: o país responde por mais de 80% de todas as instalações no mundo. Em 2025, a frota global desse tipo de máquina chegou a cerca de 16 mil unidades, e as empresas chinesas AgiBot e Unitree entregaram 5 mil robôs cada. A Unitree também informou planos de elevar a produção para 75 mil unidades por ano, sinalizando a aceleração do setor.
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