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Estudo revela que poucos minutos de atividade diária já aumentam o metabolismo.

Homem jovem fazendo exercícios dentro de casa usando roupa casual e olhando para laptop sobre mesa branca.

Um empurrão no metabolismo pode ser mais simples do que parece - algo tão acessível quanto uma caminhada leve.

Metabolismo e atividade física leve: 30 minutos por dia já fazem diferença

Um estudo recente concluiu que apenas 30 minutos diários de exercício de baixa intensidade são capazes de aumentar a capacidade do organismo de transformar gorduras e carboidratos em energia, favorecendo a saúde metabólica.

A pesquisa reforça a ideia de que, mesmo sem um treino “formal”, pessoas com rotina mais parada podem melhorar o funcionamento interno do corpo ao trocar parte do tempo sentado por pequenos períodos de movimento.

Como foi o estudo: participantes, grupos e monitorização do tempo sentado

O ensaio clínico randomizado envolveu 64 adultos entre 40 e 65 anos. Eles não apresentavam diabetes em tratamento médico nem problemas cardiovasculares tratados, mas tinham múltiplos fatores de risco.

Antes do início do experimento, os participantes relataram que costumavam passar mais de 10 horas por dia sentados.

Cerca de metade dos voluntários recebeu orientações com formas simples de aumentar o tempo em pé e o deslocamento ao longo do dia, como:

  • usar uma mesa para trabalhar em pé;
  • escolher escadas em vez de elevador ou escada rolante;
  • fazer caminhadas leves.

A outra metade formou o grupo de controlo, mantendo a rotina habitual, sem intervenção.

Durante o estudo, os tempos de ficar sentado e em pé foram medidos com um dispositivo preso ao quadril. Curiosamente, esse acompanhamento acabou incentivando, sem intenção, algumas pessoas do grupo de controlo a se mexerem mais.

Independentemente do grupo, cerca de metade dos participantes reduziu o comportamento sedentário em pelo menos 30 minutos por dia.

O que os resultados indicam sobre saúde metabólica e prevenção de doenças do estilo de vida

Segundo a autora principal e fisiologista Taru Garthwaite, da Universidade de Turku, na Finlândia, os dados trazem uma mensagem animadora:

Os nossos resultados sugerem, de forma encorajadora, que reduzir o comportamento sedentário e aumentar até mesmo a atividade física leve diária - por exemplo, levantar-se para atender uma ligação ou fazer caminhadas curtas - pode apoiar a saúde metabólica e potencialmente ajudar a prevenir doenças do estilo de vida em grupos de risco.

Em um ensaio anterior, publicado em 2023, Garthwaite e parte da mesma equipa observaram que diminuir o tempo sentado por seis meses melhorou a sensibilidade à insulina.

Agora, o novo trabalho aponta benefícios semelhantes em outros aspetos do metabolismo, sugerindo que ajustar a rotina diária pode trazer ganhos metabólicos mesmo sem um programa estruturado de treino.

A autora também ressalta que os efeitos positivos de reduzir o tempo sentado tendem a ser mais marcantes em pessoas que já são pouco ativas, com excesso de peso e risco aumentado de doença. Ela acrescenta:

Benefícios ainda maiores podem ser obtidos ao seguir a recomendação de atividade física de 2,5 horas semanais de atividade de intensidade moderada, mas até mesmo um pequeno aumento na atividade física já é benéfico, especialmente para quem é fisicamente inativo.

Pequenas doses de movimento ao longo do dia também contam

Estudos recentes indicam que acrescentar apenas cinco minutos de exercício ao dia pode:

  • reduzir a pressão arterial;
  • melhorar a saúde mental;
  • trazer benefícios para o cérebro.

Além disso, reservar o dia para “pedaços” curtos de atividade pode influenciar positivamente os níveis de colesterol.

Isso não significa que alguns minutos eliminem por completo o impacto de passar horas sentado - mas cada pequena mudança soma.

Estratégias práticas para reduzir o comportamento sedentário no dia a dia

Para quem trabalha muitas horas sentado, uma boa abordagem é transformar o movimento em “padrão” da rotina: levantar para beber água, alternar tarefas em pé e sentadas, ou fazer breves deslocamentos dentro de casa ou do escritório. Uma meta simples e realista é criar pausas ativas curtas (por exemplo, a cada 60–90 minutos), mesmo que seja só para caminhar alguns minutos.

Outra forma de facilitar a adesão é associar movimento a hábitos já existentes: caminhar enquanto fala ao telemóvel, estacionar um pouco mais longe quando possível, ou descer um ponto antes e completar o trajeto a pé. O importante é reduzir a soma de longos blocos de imobilidade ao longo do dia.

Publicação do estudo

O estudo foi publicado na Revista Escandinava de Medicina e Ciência no Esporte.

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