O piloto português Jorge Brandão morreu nesta sexta-feira, 17 de outubro de 2025, após sofrer uma queda nas dunas durante a quinta e última etapa do Rali de Marrocos.
O acidente aconteceu no quilômetro 214 de uma especial de 216 km, em um setor de dunas nas proximidades de Erfoud, quando ele já estava muito perto de completar o trecho cronometrado. O atendimento médico interveio imediatamente e o piloto foi removido de helicóptero para o hospital de Erfoud. Apesar dos esforços, o falecimento foi confirmado na unidade de saúde às 13h55 (horário local).
Trajetória de Jorge Brandão no rally raid e no off-road
Natural de Arouca, Jorge Brandão tinha 46 anos e era figura frequente nas competições nacionais de todo-terreno, com forte presença no off-road e no rally raid. Ao longo da carreira, disputou várias edições do Campeonato Nacional de TT e rally raid, e conquistou o título de campeão nacional na categoria Promoção em 2018.
Em 2024, esteve no Rali de Marrocos como copiloto do espanhol Carlos Vento, experiência que acabou marcando o início de um caminho mais consistente no cenário internacional.
Mais recentemente, passou a representar a Old Friends Rally Team, uma estrutura amadora formada por entusiastas do todo-terreno com a missão de levar a paixão pelas motos além das fronteiras.
Rali de Marrocos: participação, classificação e o sonho do Rali Dakar
Esta era a segunda participação de Brandão no Rali de Marrocos, já integrado à Old Friends Rally Team. No momento do acidente, ocupava o 48º lugar na classificação geral entre as motos e era o 2º colocado na categoria de veteranos.
Além do resultado, a prova tinha um objetivo pessoal claro: servir como preparação para realizar um sonho antigo - disputar pela primeira vez o Rali Dakar de moto, em solo, enfrentando as etapas e a navegação sem apoio de um companheiro de equipe no guidão.
Em competições desse tipo, as dunas impõem um desafio particular: a leitura do terreno muda a cada passagem, a visibilidade pode ser enganosa e o esforço físico se acumula rapidamente, sobretudo no fim de uma etapa longa. Por isso, a combinação entre estratégia, ritmo e conservação da moto costuma ser tão decisiva quanto a velocidade pura.
Também é comum que pilotos em rota para o Dakar intensifiquem a preparação fora das provas, com foco em resistência, hidratação, orientação e gestão de fadiga - aspectos que, no deserto, fazem diferença tanto no desempenho quanto na segurança. O Marrocos, por suas características de areia e navegação, costuma ser visto como um dos testes mais relevantes nesse processo.
Jorge Brandão e a paixão pelo deserto
A morte de Jorge Brandão causou forte comoção entre pilotos e equipes. A organização do Rali de Marrocos e a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) manifestaram profundo pesar e enviaram condolências à família e aos amigos.
Ele será lembrado como um competidor obstinado, movido pela paixão pelo deserto e pelo desejo de superação que o rally raid exige. Para muitos, a memória que fica é a de alguém que partiu fazendo o que mais amava: moto na areia, olhar no horizonte e a vontade de ir sempre um pouco mais longe.
A Razão Automóvel deixa também aqui, em nome de toda a equipe, as nossas mais sinceras condolências à família e aos amigos de Jorge Brandão.
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