O setor automotivo acaba de ganhar um novo capítulo histórico. Em 14 de setembro, na pista de testes da ATP, em Papenburg, na Alemanha, o Yangwang U9 Xtreme cravou 496,3 km/h (308,4 mph). A marca passa a ser tratada como novo recorde mundial de velocidade para automóveis de produção, e também coloca um modelo elétrico no topo da lista dos mais rápidos do planeta.
O feito não só melhora o melhor resultado anterior do próprio U9 em configuração de testes, como também ultrapassa a referência registrada pelo Bugatti Chiron Super Sport 300+ com motor a combustão: 490,484 km/h. Na prática, a BYD, por meio da sua submarca de luxo Yangwang, assume a liderança entre os automóveis de produção mais velozes já medidos.
Yangwang U9 Xtreme (U9X): engenharia elétrica no limite
Chamado também de U9X, o Yangwang U9 Xtreme parte da mesma base técnica do U9 já vendido na China, mas recebe um pacote amplo de mudanças focadas em desempenho extremo. Um dos principais avanços está no novo sistema elétrico de 1.200 V (em vez dos 800 V do modelo de série), combinado com uma Blade Battery LFP (fosfato de ferro-lítio) capaz de entregar uma taxa de descarga de 30C.
A tração fica por conta de quatro motores elétricos que podem operar a até 30.000 rpm. Somados, eles entregam aproximadamente 3.000 cv. Para suportar esse nível de esforço, outros conjuntos precisaram ser fortalecidos e aprimorados - com destaque para pneus e suspensão, áreas críticas quando o objetivo é manter estabilidade e controle em velocidades muito acima do padrão.
Em projetos como o U9X, a arquitetura de alta tensão não serve apenas para “ter mais potência”: ela ajuda a trabalhar com correntes menores para a mesma energia, reduzindo perdas e calor em componentes-chave. Isso também exige gestão térmica extremamente cuidadosa, porque, nesse patamar de velocidade, pequenas variações de temperatura podem impactar eficiência, consistência de entrega e durabilidade de sistemas elétricos.
Vale lembrar que recordes de automóveis de produção costumam depender de critérios e metodologias de medição (como validação, regras do local, condições de pista e padrão de registro). Por isso, além do número final, o que chama atenção aqui é o nível de maturidade técnica necessário para sustentar o desempenho de um hipercarro elétrico nesse território.
Pilotagem, controle e o papel do elétrico
Quem conduziu o carro foi o alemão Marc Basseng, piloto com longa trajetória em provas de endurance e veículos de competição. Após a tentativa, ele observou que “algo assim não seria possível com um motor a combustão”. Basseng também destacou a entrega suave e a ausência de variações de carga típicas de motores elétricos, características que, segundo ele, ajudam o piloto a manter foco total e precisão em alta velocidade.
Produção em série e exclusividade
A fabricação em série já está confirmada. A Yangwang pretende montar somente 30 unidades do U9 Xtreme, destinadas a compradores selecionados. O nome faz referência a “Extreme”, ideia associada a limite e absoluto, enquanto o “X” aponta para o desconhecido e para a ambição de explorar novas fronteiras.
Yangwang U9 Xtreme e um marco para a mobilidade elétrica
Para a BYD, o recorde significa mais do que um valor no painel. Stella Li, vice-presidente executiva do grupo, disse que a “Yangwang é uma marca que não reconhece o impossível” e que esse impulso inovador é o que viabiliza um carro como o U9X. Ela também agradeceu ao piloto e à equipe de engenharia pelo trabalho que tornou o resultado possível.
Na comparação direta, o U9 Xtreme passa a figurar à frente de ícones do desempenho: o Bugatti Chiron Super Sport 300+ com 490,484 km/h em uma única passagem; o Koenigsegg Agera RS, que registrou 447,2 km/h como média de duas passagens; e o SSC Tuatara, que atingiu 455,3 km/h - todos agora atrás do hipercarro elétrico da BYD.
Mais do que um recorde absoluto, a BYD sustenta que o resultado reposiciona a ideia de hipercarro sustentável. A proposta é demonstrar que a mobilidade elétrica pode competir - e até superar - os motores a combustão em todos os aspectos, unindo zero emissões locais a um patamar de performance que, até pouco tempo atrás, parecia exclusivo da engenharia tradicional de combustão.
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