Um em cada cinco compradores de automóveis no mercado europeu diz preferir carros chineses, de acordo com o Estudo de Impacto das Marcas Automotivas Chinesas, conduzido pela consultoria Escalent.
O levantamento ouviu mais de 1.600 potenciais compradores no Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Itália, em entrevistas realizadas entre outubro e novembro de 2024. Os resultados indicam que marcas como a MG, controlada pelo grupo chinês SAIC, e a BYD vêm se consolidando cada vez mais no radar dos consumidores europeus.
Mesmo entre quem ainda demonstra resistência, o estudo aponta que uma queda de apenas 10% no preço do veículo já pode ser suficiente para transformar um consumidor antes “cético” em “comprador”.
Segundo o relatório, “as montadoras já estabelecidas precisam ficar atentas: a popularidade das marcas chinesas está crescendo entre novos compradores europeus, especialmente entre os mais jovens”.
Carros chineses: aumento de confiança e familiaridade na Europa
A pesquisa também mostra uma mudança importante de percepção: entre maio e julho deste ano, a avaliação positiva sobre marcas de automóveis chinesas na Europa aumentou de forma relevante em comparação com 2024.
No ano passado, apenas 31% dos compradores europeus consideravam adquirir um carro de origem chinesa. Neste ano, esse percentual avançou para 47%, superando inclusive a consideração por marcas americanas (44%).
A confiança geral em produtos chineses também subiu, passando de 12% para 19%. No mesmo intervalo, o índice de confiança em produtos americanos recuou de 31% para 24%.
Mark Carpenter, diretor da Escalent no Reino Unido, ressalta que o ganho de familiaridade e confiança está ligado a investimentos em publicidade, patrocínios e ampliação das redes de concessionárias. Para ele, existe “um ponto de virada” em que o consumidor deixa de apenas desconfiar e passa a se interessar, principalmente quando preço e qualidade caminham juntos.
Ainda assim, a expectativa de preço segue sendo decisiva: 72% dos europeus afirmam que esses veículos precisam ser mais baratos do que os modelos de marcas já tradicionais no continente. Só 13% pagariam mais, mesmo que o automóvel entregasse mais tecnologia ou desempenho superior.
Além do preço, fatores como garantia, manutenção e pós-venda tendem a pesar na decisão de compra - sobretudo em mercados onde a rede de assistência e a oferta de peças são vistas como sinais de segurança. Conforme a presença das marcas chinesas cresce, esses elementos passam a ser observados com mais atenção pelo consumidor.
Também vale notar que, com o avanço dos carros eletrificados na Europa, a percepção de valor pode ser influenciada pela infraestrutura de recarga e pela transparência sobre autonomia e durabilidade de bateria, aspectos frequentemente usados para comparar marcas novas com fabricantes já consolidados.
Marcas em destaque entre as marcas chinesas
Entre os nomes mais conhecidos, MG e BYD lideram em familiaridade. Ao mesmo tempo, NIO, Xiaomi (ainda ausente do mercado europeu) e Chery vêm ganhando visibilidade - com destaque para o público mais jovem, segundo o estudo.
A BYD, em particular, tem investido em campanhas de televisão e em patrocínios de grande alcance, adotando estratégias semelhantes às utilizadas pela Hyundai. Na avaliação da consultoria, isso ajudou a colocá-la como a marca chinesa mais popular entre novos compradores na Europa.
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