Bernardo Sousa é um dos nomes mais comentados do automobilismo português. Depois de conquistar o título de campeão nacional de ralis em 2010 e de vencer o Rali SATA Açores em 2014 - etapa do Europeu de Ralis -, somou resultados expressivos também em campeonatos internacionais de altíssimo nível.
A trajetória, no entanto, não foi feita só de troféus. Entre vitórias, fases de baixa e recomeços, a história de Bernardo Sousa tem enredo de cinema - ou, no mínimo, de reality show. E quem acha que o capítulo principal ficou no passado se engana: hoje, ele compete no Mundial de Resistência (WEC), guiando um Ford Mustang GT3 em uma das categorias mais exigentes do automobilismo moderno.
Para entender melhor essa jornada dentro e fora das pistas, o piloto madeirense foi o convidado do episódio mais recente do Auto Rádio, podcast da Razão Automóvel com apoio do Piscapisca.pt. Veja o episódio completo:
Bernardo Sousa: paixão desde cedo
No episódio, Bernardo relembra como o interesse por carros começou ainda quando era criança, muito por influência do ambiente familiar e dos primeiros contatos com os karts. Em conversa, ele admite que, no início, o que mais o atraía era a adrenalina de competir - mais do que a rotina de treinos em si.
Ele também passou por períodos delicados na carreira, incluindo os dois anos em que ficou parado depois de um controle antidoping ter dado positivo. Bernardo conta como enfrentou a pressão, a insegurança e o peso das dúvidas, e explica de que maneira conseguiu voltar mais forte, mantendo a motivação e o vínculo com o automobilismo.
Do rali ao WEC com o Ford Mustang GT3
A fase atual no WEC marca uma mudança importante no tipo de desafio. Na resistência, o foco vai além da velocidade pura: entra em jogo a constância, a gestão de pneus e combustível, a leitura estratégica da corrida e a capacidade de dividir o carro com outros pilotos, mantendo o desempenho por longos períodos.
Correr com um Ford Mustang GT3 também exige adaptação a um carro com dinâmica, freios e eletrônica bem diferentes do que se encontra nos ralis. É outro universo - e justamente por isso, segundo o próprio piloto, um projeto que pede maturidade, disciplina e preparação física e mental contínuas.
Pessoa midiática
Durante o podcast, Bernardo Sousa comentou ainda a participação no Big Brother, experiência que ampliou sua visibilidade de um jeito que ele não esperava. Ele reconhece que lidar com a exposição da televisão foi um desafio completamente diferente do ambiente das corridas, mas que acabou fortalecendo sua imagem pública e chamando mais atenção para os ralis.
Mesmo com a popularidade em alta, o piloto aproveitou para criticar o cenário nacional: na visão dele, a cultura esportiva em Portugal segue muito concentrada no futebol, e ainda faltam estruturas que ajudem de forma consistente os jovens que querem virar pilotos.
Vale notar que esse tipo de projeção pode ter um efeito prático no automobilismo: mais audiência tende a atrair patrocinadores, viabilizar projetos e abrir portas para categorias internacionais. Ao transformar a própria trajetória em assunto fora do paddock, Bernardo também ajuda a colocar o esporte na conversa de um público que talvez nunca tivesse acompanhado um rali ou uma corrida de resistência.
Próximos passos: ficar no WEC, subir para Hypercar com a Ford ou voltar aos ralis?
No fim do episódio, Bernardo Sousa compartilhou as possibilidades que enxerga para o futuro: seguir no WEC, tentar um salto para a classe Hypercar com a Ford ou, quem sabe, voltar aos ralis.
Encontro marcado no Auto Rádio na próxima semana
Motivos não faltam para assistir/ouvir ao episódio mais recente do Auto Rádio, que volta na próxima semana nas plataformas de sempre: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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