Nova abordagem com células dendríticas reguladoras permitiu que parte dos pacientes ficasse sem remédios anti-rejeição por até três anos
Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh conduziram um ensaio clínico que pode representar um avanço rumo a transplantes de órgãos sem a exigência de uso vitalício de imunossupressores. No estudo, alguns participantes conseguiram interromper esses medicamentos e permaneceram sem eles por um período de até três anos.
A estratégia se apoia nas células dendríticas reguladoras, capazes de reduzir a resposta imunológica do organismo a antígenos. A hipótese dos cientistas foi que aplicar essas células, obtidas do doador, antes do transplante poderia “treinar” o sistema imune do receptor para aceitar o novo órgão. Para testar a ideia, foram selecionados pacientes submetidos a transplante de fígado, já que esse órgão tende a ser melhor tolerado pelo sistema imunológico e também pode ser doado parcialmente.
Ao todo, 13 pacientes participaram da pesquisa. Uma semana antes da cirurgia, cada um recebeu uma dose de células dendríticas reguladoras produzidas a partir de glóbulos brancos de seus respectivos doadores. Após o transplante, todos seguiram a terapia padrão. Depois de um ano, oito deles tentaram suspender os medicamentos. Quatro pacientes conseguiram abandonar completamente os imunossupressores; três permaneceram sem remédios por três anos, mantendo um quadro de saúde estável.
Mesmo com o tratamento convencional, cerca de 13–16% das pessoas que passam por transplante de fígado conseguem, com o tempo, deixar de tomar os medicamentos. Com o novo método, essa proporção subiu para 37,5%. Ainda assim, os autores ressaltam que os resultados são iniciais e que, para confirmar a eficácia da abordagem, serão necessários estudos adicionais - incluindo uma comparação direta com o tratamento tradicional.
Próximos passos para reduzir a rejeição no transplante de fígado com células dendríticas reguladoras
A equipe pretende aprimorar o protocolo, testando outros imunossupressores ou ajustando o momento de administração das células. Segundo Abhinav Humar, chefe da divisão de transplantes do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, trata-se de um avanço que torna possível interromper os medicamentos com segurança em um número expressivo de pacientes.
Grupos de pesquisa em diferentes países continuam buscando formas de eliminar a rejeição de órgãos. Embora nem todas as propostas se confirmem, a expectativa é que, em um futuro próximo, o transplante de órgãos se torne mais seguro e mais simples para os pacientes.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário